31 de janeiro de 2016

Haiti: instabilidade política pode influenciar saída da Missão de Paz

General brasileiro diz que clima é de tensão no Haiti: 'Tudo pode acontecer'
Eleição presidencial foi suspensa após denúncias e protestos tomam o país.
Instabilidade política impacta decisão da ONU de sair do país em 2016.

Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo
General Ajax brinca com criança haitiana (Foto: Minustah)O general brasileiro Ajax Porto Pinheiro, que comanda as tropas da ONU na missão de paz no Haiti, diz que a situação é incerta no país.
Na última semana, o segundo turno das eleições presidenciais foi suspenso após denúncias de fraude, e uma onda de protestos violentos a favor e contra o governo tomou as ruas de várias cidades.
O Conselho Eleitoral suspendeu as eleições alegando razões de segurança. Com a indefinição, um governo provisório deve assumir em 7 de fevereiro, quando termina o mandato do atual presidente, Michel Martellyx.
Na última semana, no entanto, o presidente da Comissão Eleitoral e outros quatro de seus nove membros renunciaram, o que torna incerto como será a continuidade do processo eleitoral. Há o risco de haver um vácuo de poder a partir do fim do mandato de Martellyx.
Em entrevista ao G1, o oficial diz que espera que os políticos cheguem logo a um acordo, "para que o país possa dar o próximo passo".
Pinheiro afirma não ver relação direta entre as causas da instabilidade política e a previsão da ONU de encerrar em 2016 a Missão para Estabilização do Haiti (Minustah). Apesar disso, afirma ele, a situação de segurança do país influenciará a decisão do Conselho de Segurança – que será tomada em outubro – de manter ou não a operação internacional.
A ONU planejava retirar, a partir de 15 de outubro, os últimos 2.370 militares que possui na Minustah. A missão foi criada em 2004, após uma onda de violência e manifestações levar à deposição do presidente Jean Bertrand Aristide. Desde então, o Brasil possui o maior número de soldados e comanda militarmente a missão.
“A situação hoje é de distensão, com muito atrito político. Não há consenso (entre governistas e opositores). Como tem um clima de atrito, leva a uma tensão na segurança. Os protestos são rotina: bloqueiam as ruas, queimam pneus, atiram pedras”, afirma o general Ajax Pinheiro.
"Se me perguntassem há um mês se eu acreditava que a Minustah sairia em outubro (de 2016) e as eleições transcorreriam normais, eu diria que sim, que acreditava que era outubro, porque tudo estava caminhando bem. Com este impasse, a situação é bem incerta e nem me arrisco a prever um futuro desenlace da missão agora”, diz Pinheiro. “Tudo pode acontecer.”
O Conselho Eleitoral alegou falta de segurança para suspender as eleições em 22 de janeiro, após o candidato da oposição, Jude Célestin, exigir a investigação de suspeitas de fraudes no primeiro turno, realizado em outubro de 2015, e recusar-se a participar da continuidade do pleito.
“Este é o momento para todos voltarem à mesa de negociação e acreditamos que haverá em breve acordo. E quanto mais rápido isso se definir, melhor para o futuro do país. Uma situação política instável não é boa para ninguém. Vamos nos preparar para a próxima fase, que não sabemos qual vai ser e nem quando vai ser. Acreditamos que eles chegarão a um acordo”, diz o general Ajax Pinheiro.
Adiamento das eleições
Para o oficial, havia condições das eleições terem sido realizadas conforme o planejado - o segundo turno presidencial estava marcado para 24 de janeiro.
“Sim, tinha situação (de segurança). Até o dia 22, era nossa avaliação integrada com a polícia local, e estávamos prontos para realizar (o pleito). Não posso dizer que no futuro não ia se deteriorar, não tinha como saber, mas até então [a situação] estava até menos agressiva do que na véspera dos outros dois turnos eleitorais que tivemos em 2015 (eleições legislativas e primeiro turno presidencial). Da nossa parte, estávamos prontos”, defende.
"O adiamento ocorreu mais porque não havia consenso político, não foi a questão da permanência da ONU. Não tem este link, eu não vejo isso hoje. A questão é política. E, da demanda deles, saem consequências, até para a segurança. Se eles fizerem um acordo, fizerem as eleições, voltamos à normalidade e saímos em outubro", afirma.

Fim da missão de paz
Uma comitiva de inspetores da ONU irá a Porto Príncipe, a capital haitiana, em março, fazer um relatório estratégico com elementos políticos e de segurança para embasar a decisão que o Conselho de Segurança tomará em outubro sobre o término ou continuidade da Minustah.
Segundo o general, o efetivo atual da força é o mínimo necessário para manter a ordem no país. Se houver redução deste contingente da ONU em outubro, a operação internacional terá que mudar seu caráter, pois não terá mais condições de controlar áreas críticas. A ideia estudada pelas Nações Unidas era que, com a saída das tropas, a missão passasse a ser de apoio institucional ao governo.
Em maio de 2015, Jacques Wagner, então ministro da Defesa, anunciou que o Brasil iria retirar em 2016 os militares do Haiti, cumprindo uma decisão da ONU.
O general Ajax Pinheiro pretendia ser o último a sair. Apesar de dizer que não há mais definição, ele diz esperar que o programado se mantenha.
“Eu acredito [no encerramento da missão neste ano]. Para nós seria um fator de compromisso de sucesso. A comunidade internacional diria que cumprimos bem nossa missão de garantir um ambiente seguro e estável e podemos partir", diz o general.
“Se nada mudar e tivermos condições de segurança, podemos sim mudar o perfil da missão, mas depende do Conselho de Segurança. A tendência da ONU é reduzir custos de efetivo em missões que deram certo e investir em outras mais críticas e pesadas. Mas, como será o futuro da missão, nem a ONU decidiu”, acrescenta.
G1/montedo.com

6 comentários:

Diego H disse...

Querem ver a cara do país daqui uns 10 anos??olhem para o Haiti, no ritmo que as coisas pioram é assim que vai ficar...aí todos vão lembrar e muito das forças armadas..porque quando a coisa aperta é para lá que eles correm, esse bando de bandidos que estão no poder hoje....

Anônimo disse...

Não tem jeito, o povo de lá parece que gosta de viver na miséria e guerras.Luta pelo poder mesmo com um pais esfacelado.Os militares vão sair e o pais vai virar explosivo puro, até vir outro terremoto.

Anônimo disse...

Tem que prorrogar urgente a missão...
Pois é o único "bico" do militar (juntamente com a Op Pipa) que ajuda pagar as contas... Ainda mais com o dólar no valor que tá....

PRORROGA AÍ ONU!!!!!!

Anônimo disse...

Tantos anos de investindo, para praticamente nada. Então, senhores, analisemos, se valeu a pena. Deixamos de investir em nosso próprio país, carente em várias áreas, principalmente em nossos hospitais, alguns com salários de servidores atrasados, falta de medicamentos e outras dificuldades sérias. Deixemos que países do primeiro mundo, que possuem mais recursos, que resolvam o problema. Nem sequer conseguimos fazer o dever de casa. Uma hora a ficha vai cair, mas se demorar, pode nos onerar ainda mais. Acorda Brasil!!!

Anônimo disse...

É bom ganhar um extra, na atual situação. Mas como dá para todos, o certo é reforçar as reclamações e exigências de recomposição dos salários.O Tempo está passando e a necessidade está ficando esquecida e as "missões" aumentando.

Anônimo disse...

Tragédia anunciada, o Brasil entrou em uma furada com a expectativa de ser membro permanente da ONU, conclusão, o Brasil não tem condições, nem bélicas, nem econômicas, nem morais, com esse governo corrupto que esta ai, para ser um membro permanente da ONU. Agora esta nessa situação, não pode largar esse osso indigesto pq vai sair muito enfraquecido perante a opinião publica mundial. Por outro lado nossas tropas não conseguiram pacificar as favelas nem no Rio de Janeiro, nem no próprio Haiti. Na verdade o que as tropas fizeram foi uma negociação de trégua por um determinado espaço de tempo, pq os bandidos, as gangues, as milicias, os traficantes, todos ainda permanecem na ativa e pior agora conhecem as fraquezas de nossas forças de segurança, pois quase ninguém foi preso efetivamente, apenas mudaram de localidade ou se esconderam durante o período de ocupação. Olhando pelo lado dos militares, essa missão é valida pq está tirando muitos da falência pessoal que se encontram, devido há anos de arroxo salarial, haja visto que a maioria vai para essa missão indicado por oficiais de alta patente, geralmente pq estão sendo um gde problema social em suas OM de origem. Acompanhei essa seleção por muito tempo e infelizmente essa a triste realidade que alguns hipócritas teimam em não reconhece-la, é uma missão para tiram militar endividado do buraco. Somente 10% dos militares vão para essa missão pensando em realização pessoal, carreira e vocação. Tem outro problema ainda, nem todos que vão para essa missão, conseguem resolver na integra seus problemas particulares, pois muitos deixam aqui no Brasil uma família já desestruturada e acabam aumentando seus problemas familiares e em alguns casos, se endividando muito mais. Conclusão, essa missão de "Paz" ou "Pacificação" como queiram, para o bem da Nação, não deveria ter nem iniciado. O que nos resta é esperar como ela terminará.

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