24 de janeiro de 2016

Para guardar a memória militar

Museu Militar Brasileiro possui centenas de viaturas militares e preserva história das Forças Armadas
Um dos maiores acervos militares do país não está, como se poderia imaginar, em Santa Maria, a cidade conhecida pelo grande número de unidades do Exército. O Museu Militar Brasileiro, idealizado por um empresário que viveu sua infância aqui, desenvolveu seu projeto na cidade de Panambi. Numa área de quatro hectares, ao lado da BR-285, a 170 quilômetros de Santa Maria, Sefferson Steindorff reuniu mais de uma centena de viaturas militares, armamentos e artefatos, com a intenção de preservar a memória militar e a história das Forças Armadas. Todas as viaturas foram restauradas pela equipe do próprio museu e mantém, na medida do possível, as características originais.
Já na entrada do Museu, chama a atenção do visitante dois grandes aviões Boeing. Um deles foi transformado em sala de cinema e o outro num espaço com exposição de artigos militares. Fundado.
Há alguns anos, este acervo – um dos principais da América do Sul no gênero - começou a despertar a atenção pela qualidade e quantidade de peças. Diversas cidades do RS já fizeram propostas para sediar o museu. Mas Sefferson acha que Santa Maria, com seu significativo contingente militar, seria o local ideal para transferir, ao menos em parte, o conjunto de obras desta instituição que preserva a memória do Exército. O prefeito Cezar Schirmer esteve duas vezes em Panambi, e está empenhado em encontrar um terreno para abrigar uma filial do Museu. O fluxo de visitantes em Santa Maria pode ser maior. E seria uma atração para os militares que aqui residem e para as comitivas que visitam nossas unidades militares.
A reportagem de A Razão foi convidada a conhecer o Museu. A impressão que fica é de que o acervo é grande demais para ser conhecido apenas em uma visita. São muitas peças, bem restauradas, de grande valor histórico, que relembram passagens da história militar brasileira. E têm despertado interesse não só naqueles que serviram em unidades militares, mas de familiares e amigos. As peças, como estão organizadas, mostram como eram utilizadas nos quartéis e nos campos de batalha. Em alguns recantos da área aberta do museu há instalações, com carros destruídos, reproduzindo cenários dos locais onde aconteceram os conflitos.
Mas não é só isso que o Museu tem. Distribuído pelos diversos setores, peças antigas de valor histórico, utilizadas por aqueles que colonizaram o RS, também integram o acervo. Ali está uma máquina Linotype utilizada antigamente pelos jornais para confecção dos textos. E um antigo gerador de energia elétrica, que pertenceu ao Parque de Manutenção da 3ª DE, e que na década de 1950 forneceu luz para a cidade de Santa Maria.
E Sefferson continua viajando pelo RS em busca de mais material. Assim, aos poucos, o Museu vai crescendo e se tornando cada vez mais interessante.

O IDEALIZADOR
Sefferson nunca serviu em nenhuma unidade militar. Mas todos os visitantes do Museu querem saber como surgiu a ideia de construir tão grande empreendimento para preservar a memória militar.
Sefferson nasceu em 1957 no interior de São Pedro do Sul. Perdeu o pai aos dois anos. Quando ele tinha oito anos, sua família mudou-se para Santa Maria onde, sem referências e sem conhecer ninguém, enfrentou dificuldades. Enquanto a mãe fazia limpeza de casas, Sefferson e os irmãos trabalhavam de engraxate, vendiam picolés e rapaduras. Em certo tempo, foi vendedor do jornal A Razão, no centro de Santa Maria. Sua maior alegria era quando o Exército oferecia as colônias de férias para crianças carentes. Foi ali que, além de “matar a fome”, como ele mesmo diz, pegou gosto pelas histórias militares.
Mais tarde, já casado, trabalhou em uma sucata. Comprando ferro velho, viajou por todo o RS. Viu perspectivas promissoras na cidade de Panambi e em 1980 transferiu-se para lá, onde possui três empresas e fundou a Associação Cultural que mantém o Museu.
Em uma mensagem aos visitantes, Sefferson escreve: “O objetivo do Museu Militar é preservar a história das Forças Armadas Brasileiras, uma forma que encontrei para contribuir no desenvolvimento cultural e histórico de nossa sociedade. Mostrar para todos que tudo é possível neste mundo, até para um menino que perdeu o pai aos dois anos de idade, passou fome com a família, foi vendedor de picolés e jornais, e até catador de sucatas e superei muitas dificuldades, mas não me entreguei para o vício do cigarro, bebidas ou outras drogas, pois sempre tive o apoio de meus irmãos e também na escolha correta dos meus amigos”.

Contatos
O Museu abre todos os dias. Viajantes que passam pela região, inclusive turistas argentinos, chegam para conhecer o acervo. Excursões das escolas têm tratamento especial, pois as crianças mostram interesse em conhecer a história. Há acompanhamento didático, com apresentações de vídeos, para atrair a atenção dos alunos. As visitas de grupos podem ser agendadas pelo telefone (55) 3375.0310 ou pelo e-mail: [email protected]
Mais informações no site: museumilitarpanambi.com.br
A RAZÃO/montedo.com

6 comentários:

Anônimo disse...

Desculpe a brincadeira, mas a MP 2215-01 já virou coisa de museu, podem guardar um lugar de destaque para ela.

Anônimo disse...

Parabéns ao idealizador. Linda história.

Anônimo disse...

Parabéns Sr Sefferson, pelo brilhante trabalho. Só o aconselho a não permitir que o Exército administre seu museu.

Anônimo disse...

Não vai demorar para as Forças Armadas virarem um museu só!

Anônimo disse...

Uma vergonha para a Instituição... dependemos de civil que nunca fui nem atirador de tiro de guerra para manter nossa história... parabens a esse cidadão....

Anônimo disse...

PT + EB + AER + MB = Braço Forte, mão amiga. KKK...

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