30 de janeiro de 2016

Repelente do Exército para combater Aedes não tem registro da Anvisa

Militares dizem que produto é exclusivo para tropa; Ministério da Saúde já descarta uso
RENATA MARIZ
BRASÍLIA — O repelente fabricado pelo Exército, que chegou a ser anunciado pelo Ministério da Saúde como possível parceiro no fornecimento do produto em larga escala para o combate ao vírus zika, não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A justificativa oficial para abandonar a ideia e recorrer aos fabricantes comerciais foi a de que o laboratório militar seria incapaz de produzir o insumo na quantidade demandada. Mas, outra razão mantida em sigilo é a falta de aval da agência reguladora brasileira para o produto, que é usado apenas internamente pelas tropas.
Ao anunciar a parceria com o Exército, em dezembro, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse que a distribuição deveria ocorrer “o mais rápido possível”. Na ocasião, ele afirmou que o governo forneceria o repelente pelo Sistema Único do Saúde (SUS) a grávidas do país. Depois do anúncio público de parceria, o Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFEx), que fabrica o produto, divulgou nota afirmando que não poderia atender a demanda por falta de estrutura.
Em nota ao GLOBO, o Exército reafirmou que o laboratório “não pôde atender à solicitação em virtude de não possuir equipamentos instalados com a capacidade de produção necessária”. Explicou ainda que o “produto tem como finalidade proteger e manter a higidez dos soldados, quando em operação, prolongando sua permanência ao realizar atividades em áreas inóspitas e de alta infestação tais como: selva, mangue, pantanal, caatinga”.
Sem responder especificamente o questionamento sobre a falta de registro do repelente na Anvisa, o Exército destacou, ainda em nota, que se trata de um “produto de Defesa, de uso exclusivo da tropa, que não é comercializado e nem distribuído à população civil”. Acrescentou também que “os produtos são produzidos há mais de vinte anos e não existem relatos de reações adversas, pois são utilizados adequadamente pela tropa adestrada”. O Ministério da Saúde e a Anvisa foram procuradas pelo jornal, mas não responderam os questionamentos até a publicação desta reportagem.

NOVELA DO REPELENTE
Quase dois meses depois do primeiro anúncio de distribuição de repelentes, depois frustrado pela notícia de que o produto do Exército não tem registro na Anvisa, o governo tenta um acordo com as empresas fabricantes. Na sexta-feira, elas terminaram de preencher um questionário com dados sobre custos, compostos ativos, tempo de proteção, capacidade de produção. Essas informações serão enviadas para técnicos do governo para definição de parâmetros sobre a compra do produto em larga escala.
Um impasse tem atravancado as negociações: o preço do produto. Na última reunião com o governo, na quarta-feira, no Palácio do Planalto, os fabricantes pediram isenção de PIS, Cofins e Imposto de Importação que recaem sobre os compostos químicos trazidos de fora do Brasil para fazer o repelente. A demanda chega num momento fiscal delicado, em que o Executivo faz exatamente o contrário: revendo desonerações e elevando tributos. Uma próxima rodada de negociações está prevista para a semana que vem.
Diante das dificuldades, o governo já restringiu o alvo da política de distribuição de repelentes. Nesta semana, o ministro Marcelo Castro disse que as gestantes beneficiárias do Bolsa Família, estimadas em 400 mil, receberão o produto. Para isso, os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social trabalharão juntos para localizar as grávidas do programa. No entanto, nenhuma das duas pastas sabe quando elas começarão a ter acesso ao repelente.
O Globo/montedo.com

12 comentários:

Anônimo disse...

Uma piada . Sugam das FFAA e em troca dão migalha$

Anônimo disse...

Já que os militares estão fazendo tudo,e em todos os lugares, toma logo a posse em Brasília. Depois que tudo isso passar, voltam a jogar pedras nos militares.

Anônimo disse...

Quer dizer então que o repelente usado pela "tropa adestrada" não precisa de registro da ANVISA porque há mais de vinte anos em uso não provocou reação adversa, mesmo sem obedecer regulação alguma pela ANVISA?
Qualquer coisa então que o Exército faça há vários anos sem que ninguém questione por si só configura uma "AUTORIZAÇÃO" !
O que dizer então o fato de na Marinha e na FAB os militares cortarem o cabelo (uma obrigação) de graça (militares barbeiros) e no Exército os militares terem que pagar R$ 15,00 o corte de cabelo (10 em 10 dias) porque alguém um dia assim decidiu e há mais de duas décadas continua sendo assim ? Entendi...

Anônimo disse...

É óbvio que o repelente não tem registro da ANVISA. Sendo a ANVISA uma agência reguladora, sua atribuição é fiscalizar a iniciativa privada. A não ser que esse repelente fosse vendido... Mas dúvido que os laboratórios vão perder essa boquinha, lucrar muito com a demanda gerada pelo zika.

Anônimo disse...

Isso é uma piada né. Fiquei 2 meses no Complexo da Maré e nesse período distribuiram 1 tubo de repelente para cada 2 militares e não distribuiram mais porque não davam conta de atender aquele público. Imagina pro Brasil todo.

Anônimo disse...

Excelente. Há 30 anos eu venho batendo nessa tecla, dentre outras.Tais como, as chamadas "Organizações" Militares sem um Contador. Eu formado e pós-graduado vi essa importante profissão regulamentada por Lei ter suas atividades realizadas por jovens oficias tempoearios de 20 anos assumurem tal encargo sem eles terem habilitação requerida. E eu praca velha na fila do QA sem receber sequer consideração. Assim vivenciei qtos nossos Cont e Scmt, esse ultimo em particular, o supra sumo da hipocresia, do despreparo e do desinteresse pelos praças.

Anônimo disse...

Esperar o quê? Se o soldado pra nao ser torrado na Parada compra sua farda.

Anônimo disse...

Senhores, não esqueçam que a barbearia e produto de licitação. Assim, ela ainda dá receita as custas do recruta. Pasmem isso!

Anônimo disse...

Companheiros, escrevao, ainda veremos Oficias de Informática e Advogados na tropa. Mas Contador, o mais importante assessor de um administrador, uma OM nunca terá. Pq?

Anônimo disse...

Cadê o CRF, CRE e o CRC na fiscalização ?

Anônimo disse...

Deixa como está. Se descobrirem que os produtos fabricados pelas Forças Armadas são eficientes, vão querer distribuir para o SUS e Bolsa Família. Estou começando a descobrir porque as pessoas que ganham o bolsa família não querem se aprimorar e voltar a trabalhar. Fui reclamar de conta de energia e descobri que eles também tem direito de redução de até 65% da conta de energia. As grávidas - o que não falta- vão receber repelente de graça, além de outros benefícios. Não pagam nada para o "Leão", ou seja: ser pobre ou miserável nesse pais é o futuro. Para os serviços de infraestrutura e manutenção tem as FFAA.

Prof. Reinaldo disse...

Os grandes laboratórios irão querer ganhar um por fora nesse repelente! Tem um muito bom, que nós pescadores usamos há muitos anos; álcool, cravo e um óleo (améndoa) para fixação. Nem ´pólvora, nem maruim, nem muriçoca, nem pernilongo, se atrevem a chegar nas nossas carnes! Mas, o lucro impera no país da corrupção!

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics