8 de outubro de 2015

Sem acordo! Boate Kiss: subtenente do Exército diz não ao Ministério Público!

O presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) é o  Subtenente do Exército Sérgio da Silva. Leia a notícia do site do Sedufsm. Ao final, relembre o caso da tragédia da Boate Kiss.

Kiss: pais acusados de calúnia pelo MP não irão se retratar
Durante audiência de conciliação nesta quarta, familiares recusaram acordo
Audiência de conciliação nesta tarde não levou a acordo entre pais e MP
Fritz R. Nunes
Foi uma reunião rápida no início da tarde desta quarta (7) na 4ª Vara Criminal do Fórum de Santa Maria. De um lado, o juiz Leandro Sassi e o promotor Alexandre Salim, e do outro, Flávio José da Silva, do Movimento Luto à Luta e vice-presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) e Sérgio da Silva, presidente da AVTSM. O motivo da audiência é uma tentativa de conciliação, já que os dois pais que perderam filhos na Boate Kiss estão sendo processados por supostamente terem extrapolado o direito de “livre expressão”, nas palavras do próprio juiz ao portal UOL. Conforme Flávio Silva, a proposta do juiz era pela extinção do processo desde que os pais fizessem uma retratação, um pedido de desculpas públicas, o que não foi aceito.
Sérgio perdeu o filho Augusto no incêndio da Boate Kiss (Imagem: UOL/Facebook - Edição: montedo.com)
O processo contra os pais tendo como fato motivador cartazes que foram afixados em locais públicos criticando o Ministério Público (MP), por este supostamente não ter feito tudo o que seria possível para fechar a Boate Kiss, que enfrentava vários problemas de ordem legal para o seu funcionamento. Se a casa noturna tivesse sido fechada, as 242 mortes e mais as centenas de feridos poderiam ter sido evitadas, conforme o entendimento dos pais. Junto aos cartazes com críticas ao MP e à Prefeitura, foram coladas fotos do prefeito Cezar Schirmer e do promotor Ricardo Lozza.
Em função dos cartazes, o MP pediu a condenação de Flávio Silva e Sérgio Silva por calúnia e difamação, com uma condenação que pode variar de seis meses a dois anos de reclusão, agravada pelo fato de Lozza ser funcionário público. A partir da recusa dos pais em fazer a retratação pública, o processo pode ter dois caminhos conforme um advogado ouvido pela assessoria de imprensa da Sedufsm: dar prosseguimento até cumprir ao processo ou suspendê-lo, cabendo essa decisão ao juiz.
Sem retroceder
Para Flávio Silva, a decisão de não aceitar acordo em relação ao processo é a mais acertada. No entendimento dele, as críticas ao papel do MP no período que antecedeu a tragédia não estão erradas, e pedir desculpas seria dar um passo atrás na luta por justiça, avalia ele.
Visão semelhante é expressada por Sérgio Silva. Para ele, fazer uma retratação ao MP seria “concordar com a injustiça e jogar a dignidade fora”. Em relação às alegações dos promotores e do próprio juiz que o direito de crítica foi extrapolado, Silva discorda frontalmente. E ele cita o exemplo da presidente Dilma Rousseff. “Falam as maiores besteiras dela (Dilma) e ela não fica processando todo o mundo. Quem eles (promotores) pensam que são: deuses?”.
A audiência de conciliação, que ocorreu na 4ª Câmara Criminal, foi acompanhada por dezenas de pessoas, entre pais e familiares, que usavam camisetas com uma ilustração do cartunista Carlos Lattuf, que continha uma forte crítica ao papel do Ministério Público. Um banner com a mesma ilustração também foi colocado na entrada do prédio do Fórum. Ao final da reunião, gritos por “justiça” ecoaram no prédio do Judiciário.
Fotos: Fritz Nunes e Arquivo pessoal/Sérgio da Silva
Sedufsm/montedo.com

Relembre o caso
Há dois anos, um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), vitimou 242 jovens que saíram de casa para se divertir numa noite de verão. Até hoje, ninguém foi condenado. Medidas protelatórias dos advogados de defesa têm feito o processo se arrastar à passos de tartaruga. Uma vergonha para o judiciário gaúcho.

Doze militares das Forças Armadas morreram no sinistro:
FAB
Sargento Luiz Carlos Ludin de Oliveira e soldados Giovani Krauchemberg Simões, Leandro Nunes da Silva, Rodrigo Dellinghausen Bairros Costa e Rhuan Scherer de Andrade.

Exército
Capitã Médica Daniela Dias de Matos, 1º Tenente Leonardo Machado de Lacerda, 2º Tenente Brady Adrian Silveira, 3° Sargento Diego Silvestre, Cabo Lucas Leite Teixeira e soldados Leonardo de Lima Machado e Luciano Taglia Pietra Espiridião.

Luta incansável
O subtenente da reserva do Exército Sérgio da Silva perdeu o filho na tragédia. Augusto Sergio Krauspenhar da Silva tinha 20 anos e era estudante de Filosofia. Seu pai é um dos membros mais atuantes da Associação das Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVSTM) e falou agora há pouco no Jornal Nacional (aqui, a partir de 1min50s).
Mais cedo, falou ao Jornal do Almoço da RBS TV Porto Alegre: - - Nós não vamos desistir. Já pagamos um preço muito grande para desistir" - afirmou - ao declarar que a Associação está recorrendo ao Tribunal Penal Internacional para garantir a condenação dos responsáveis.

8 comentários:

Anônimo disse...

Q terrinha de m................Viva a Banania.

Anônimo disse...

O MP e o Judiciário são isso: intocáveis.

reginaldoportoalegre disse...

Muito bem, Pais Coragem. Não desistam da luta, pois a maior derrota já houve, que foi a perda dos familiares.

Anônimo disse...

Se todos os órgãos públicos tivessem trabalhado conforme deveriam, a tragédia não teria ocorrido.Acho que outro caminho poderia ter sido adotado contra esses pais. Afinal, eles perderam seus filhos e isso é uma dor imensurável.

Anônimo disse...

Não.
Excelente resposta.
Parabéns Subtenente.
Prossiga na Missão.

Anônimo disse...

País sem leis, com muitos arrumadinhos!

Anônimo disse...

O MP, que deveria cuidar de defender as vítimas, está defendendo interesses financeiros e/ou escusos. Este é um dos motivos que me fazem não acreditar nessa Justiça que está aí. No final, o criminoso fica solto e a vítima acaba presa. Neste "paiseco", só quem vai preso é trabalhador honesto. Até autoridades não atingem o perfil da honestidade neste país. Nós estamos numa "democracia cubana". Isto é muito triste!

Anônimo disse...

Ñ tem que fazer acordo mesmo. MP se acha intocável

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