5 de abril de 2017

Brasil exporta ao Oriente Médio e Ásia alguns dos melhores lançadores de foguetes do mundo

O Ministério das Relações Exteriores está orientando as Embaixadas brasileiras a promover a venda de armas fabricadas no país. Segundo o jornalista Roberto Godoy, especializado em assuntos militares, o Brasil só tem a ganhar com isso.
"O fato de se ter uma política de exportação significa que grande parte do que se investirá ou do que se investe vai ser compensada por vendas externas", afirma Godoy. "Agora veja só: o Brasil tem uma tradição nisso. Inclusive, essa orientação do Itamaraty é dos anos 80, da época em que o Embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima era chefe do Departamento de Promoção Comercial [do Ministério das Relações Exteriores] e o Brasil tinha naquela ocasião – e depois veio a perder – uma muito ativa indústria de fornecimento de material militar."
Segundo o Instituto Sou da Paz, que obteve os informes sobre os estímulos à venda no exterior das armas e equipamentos militares brasileiros, o Ministério das Relações Exteriores enviou a todas as Embaixadas, em 6 de dezembro de 2016, um documento orientando os chefes de missões diplomáticas a promover nos países em que estão acreditados seminários e eventos com o objetivo de implementar os negócios com material bélico fabricado no Brasil.
Países da Europa, Ásia, África e Oriente Médio são apontados pelo Itamaraty como as áreas preferenciais para a realização de negócios militares.
Neste aspecto, Roberto Godoy indica quem são, atualmente, os maiores compradores de equipamentos bélicos brasileiros:
"Os principais clientes do Brasil hoje no setor de equipamentos militares estão no Oriente Médio e na Ásia. Então você tem hoje usuários de equipamentos como lançadores de foguetes Astros II e Astros 2020, da Avibras Aeroespacial, que são considerados os melhores equipamentos do seu tipo, dessa categoria, no mundo. Por quê? Porque eles são considerados como uma engenhosa solução de país pobre. A maioria dos concorrentes lança um tipo de foguete. Se você quiser o lançador para outro tipo de foguete, não pode, embora o fornecedor possa entregar outro tipo de lançador. Essa solução brasileira é assim: você tem as mesmas carretas lançadoras, o mesmo sistema digital lançador, a mesma infraestrutura eletrônica, porém você pode lançar três tipos diferentes de foguetes e um míssil com até 300 quilômetros de alcance, o que não é pouca coisa. Isso faz dele um sucesso de vendas muito grande. Cada bateria, cada conjunto lançador tem seis veículos, e aí você pode ter o carro-comando. Mas, enfim, é esse [Astros] talvez o mais sofisticado e o mais avançado equipamento exportado pelo Brasil."
Roberto Godoy acrescenta que, além dos foguetes Astros, outros sucessos de vendas nacionais para o exterior são armas leves como revólveres, pistolas, carabinas e a munição correspondente a estas armas.
O jornalista especializado em assuntos militares também informa que o Brasil segue um padrão internacional para manter o controle de vendas de seus equipamentos militares a fim de evitar que eles sejam revendidos a outros países, especialmente os que estão vivenciando situações de conflitos. De acordo com convenções, cada país comprador assina um Certificado de Usuário Final (Ender User, na denominação em inglês), o que o impede de renegociar equipamentos, armas e munições adquiridos do Brasil. O controle é exercido pelos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores e pela própria Presidência da República.
Sputnik/montedo.com

9 comentários:

Fabio disse...

Bom dia.

Interessante o perfil de uma parte dos leitores do Blog.

Em uma notícia muito interessante, da área militar, envolvendo produtos militares feitos no Brasil, da qual possivelmente muito não tinham conhecimento, nenhum comentário.

Como comparação, uma notícia de um tempo atrás, tratando de uma esposa de militar, que armou um "circo" por não concordar com o SCmt de determinada OM, "zilhões" de comentários.

Enfim, talvez esse exemplo "micro" explique porque o "BBB" faz tanto sucesso.

Anônimo disse...

Venda de armas sempre causa polêmicas. Vender para que sejam usadas para atacar, destruir e matar, causa discussão. Porém, temos que estar preparados para defender as nossas fronteiras com material de primeira qualidade. Se não for assim, outros tomarão conta do nosso território e nos imporão suas vontades. Infelizmente sempre foi assim.Hoje, com a tenologia abundante, até inocentes brinquedos de antes, podem ser utilizados para a defesa ou espionagem. O Brasil tem um celeiro de gênios e não podemos perdê-los para outros. É melhor ter material para exportar do que ter que importar.

Anônimo disse...

Só para complementar a matéria. Durante a primeira guerra do golfo contra o Iraque, na época grande comprador de armas brasileiras, os EUA e seus aliados só atacaram mesmo, pra valer, depois que todas as baterias de lançadores de foguetes astros foram destruídas ou danificadas pois eles as temiam muito. Também em relação aos blindados "cascaveis", correm informações que os Iraquianos perderam quase todos os que possuíam pois ao invés de saberem explorar o imenso potencial do blindado (canhão de bom calibre e um carro extremamente rápido em qualquer terreno, difícil de ser alcançado, pois foi projetado para efetuar o disparo e, em grande velocidade mudar de posição....vazar....se safar de ser atingido por míssil), os enterravam na areia, em posições fixas. Não souberam explorar a principal e mortal vantagem do blindado. Em relação ao Godoy, não tem muita credibilidade apesar de ser um "especialista" em assuntos militares. Quanto ao alcance de 300Km dos foguetes astros, é o máximo autorizado pelos EUA para os nossos mísseis. E isso devemos agradecer ao famigerado fhc e sua política entreguista, que assinou tratado imposto a nós pelos EUA, que limitava o alcance máximo de mísseis por nós fabricados.

Anônimo disse...

Na real, militar não está nem aí pros produtos da área de defesa, na qual somente os oficiais direta ou indiretamente a eles ligados se beneficiam(questionem alguém das unidades dotadas desse e outros sistemas e armamentos modernos para ver se não é verdade!). Nisso, praça só leva chumbo e é responsabilizado se algo der errado!



Anônimo disse...

Fábio, esta notícia não tem muito o que ser comentada. Como o texto diz, desde os anos 80 tentamos vender nossos equipamentos bélicos a outros países, alguns com sucesso, como o SuperTucano, outros infelizmente sem, como o "mico" CC Osório. Inclusive, nesta semana está ocorrendo a LAAD no Rio, quando várias oportunidades de contratos acontecem.

Anônimo disse...

Sempre pensei assim. Interessante nessa matéria é a opinião desse tal "instituto sou da paz". Estão sempre tentando "embarreirar e atrapalhar" o Brasil nesse tipo de negócio. A um tempo atrás esse tal "instituto", que não sabemos que interesses realmente defende, fez o maior"escarcéu" sobre uma venda ou fabricação de minas terrestres pelo Brasil. Sabemos que possuir e principalmente fabricar minas terrestres é de suma importancia para qualquer país do mundo pois trata-se de arma estratégica de defesa pra quem não dispõem de grande forças militares e nem de recursos tecnológicos mais sofisticados. Se alguém for "atrás" pra saber de onde sai a grana que financia esses caras, descobrirá provavelmente que vem lá "de fora". Alguém já disse que essa grana (mais de 10 milhões anuais) saem de Londres. Em relação a não nos preocuparmos com esse tipo de assunto isso é verdade. Reclamamos do preço do remédio ali na farmácia da esquina mas não paramos pra pensar no que existe realmente por trás desse preço "alto"......cartel, corporativismo, grandes multinacionais que não permitem, (através de políticos comprados) que tenhamos um fabricante nacional do mesmo produto e assim é com a batata, arroz, carro, transporte....pensamos no cotidiano e de forma imediatista mas não paramos pra pensar no porquê de determinada situação que afeta nossas vidas....as vezes por muitos anos a frente ou no passado. Digo também que as vezes sofremos mais quando vemos um pouco adiante.....quando questionamos....quando sabemos ou procuramos saber, mesmo sabendo que o saber não ocupa lugar. Um exemplo: as vezes ouço conversas sobre um conflito nuclear em grande escala e o sujeito diz o seguinte: e eu com isso.....isso é coisa de "gringo" lá pra cima. O sujeito não para pra pensar que se isso acontecer todos no planeta estarão "enrolados. A vida de todo mundo sofrerá mudanças drásticas, se sobrevivermos. Mas o cara quer mesmo é saber do bbb, da vida do Ronaldinho (como se isso represente alguma coisa na vida dele ou da família dele), se a seleção será campeã (se for ou não, não mudará nada na história do país a não ser dos jogadores que estão lá em belos hotéis, ganhando tubos de dinheiro.E assim caminha a humanidade!

Anônimo disse...

Ao companheiro de 05 abril 11:19.
O CC OSÓRIO não foi "mico" não!
A Arábia saudita havia aberto uma concorrência para aquisição de um Carro de Batalha ("Contratinho" que a época superava os 500 milhões de dólares). A engessa (segunda maior fabricante de blindados sobre rodas do ocidente, a época) resolveu participar da concorrência. Jogou todas as fichas e dinheiro que tinha na fabricação do CC Osório. Resultado: ganhou a concorrência...... Massss......não levou. "Ganhou" e "levou" o "contratinho", obviamente, o nosso "grande e mui amigo irmão do Norte" com o seu Abrahan. Lamentável. E dali pra frente, logo em seguida a engesa "morreu"....tinha "apostado" tudo e foi "chutada" miseravelmente! Acabou falindo e fechando as portas!

Anônimo disse...

Então, quis dizer que o CC Osório acabou sendo um "mico" comercial, a ponto de quebrar a Engesa. Não estou dizendo que o blindado fosse ruim, pelo contrário, era "top". Mas a gestão de riscos de negócio da Engesa simplesmente não existia à época e não pensaram num cenário em que os EUA quase que "obrigariam" a Arábia a comprar o seu CC. A Embraer quase foi pelo mesmo ralo com o AMX. Conseguiu reestruturar a sua linha de aeronaves, aumentando a oferta de aeronaves para a aviacão comercial de médio percurso, concorrendo com a canadense Bombardier. Como sabemos, o Canadá não tem o peso de um EUA no comércio internacional (com o Trump agora é que o bicho está pegando mesmo, pois esse nem tem vergonha de fazer o lobby pesado l, quase violento e dizer que fez) e a Embraer está indo bem.

Anônimo disse...

Beleza e obrigado por mais essas informações!

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