15 de abril de 2017

Um lago chamado Brasil


Resultado de imagem para bandeira do brasil no rio amazonasRogerio Chequer

Há alguns dias, fui perguntado por uma jornalista se o Brasil havia melhorado com o impeachment. Respondi que sim. Ela insistiu: mas mesmo com tudo que tem acontecido? Respondi novamente que sim. E isso me remete a uma metáfora, a limpeza de um lago.
Diz-se que a melhor forma de se limpar um lago é começar removendo a maior pedra. Aquela que se sobressai pelo tamanho e ocupa enorme volume. O problema é que, quando essa grande pedra é removida, o nível da água baixa, revelando muitas outras pedras menores que não eram visíveis até então.
É como vejo o Brasil de hoje. O governo lulopetista e seus inúmeros aliados dominaram a máquina pública, roubaram o que encontraram pela frente, destruíram a economia, a renda e os empregos dos brasileiros, sequestraram o Estado. Essa foi a maior pedra, a maior corrupção e incompetência da minha geração.
Tirada a maior pedra do lago, vieram à tona uma miríade de outros problemas gravíssimos, que corroem os poderes e as instituições da República. O lago tem hoje uma vastidão de pedras, por toda parte, a perder de vista. Pedras que já estavam lá, que sentíamos quando caminhávamos no lago, mesmo sem vê-las. E que agora, sob a luz da Lava Jato, se revelam maiores e mais numerosas do que podíamos imaginar. Os problemas que emergem se misturam aos antigos.
Mas há algo em comum entre eles: seus personagens. Uma casta de políticos que sugam o Estado e a sociedade. Nomes que estão no poder há décadas, passando-o para seus filhos, parentes e apadrinhados. Sanguessugas do futuro que, comprovadamente, transformam mandatos legislativos, executivos e judiciários numa máquina perene para gerar riqueza e poder para si mesmos. Estão fazendo isso enquanto você lê esse artigo. E o farão indefinidamente enquanto não forem interrompidos, seja pela Justiça, seja pela sociedade.
Como os personagens não são novos, conhecemos bem as dinastias políticas brasileiras, a novidade vem nos planos inescrupulosos e cada vez mais audaciosos que eles querem nos enfiar goela abaixo. Anistia, foro privilegiado, e um abusado projeto de abuso de autoridade, todos com o único e simples objetivo de se proteger da Lava Jato, da Justiça que está em seu encalço. Querem voto em lista fechada e mais uma montanha de dinheiro, dos impostos que pagamos, para que possam se reeleger. Os partidos grandes PT, PMDB, PSDB e DEM, unidos em torno de interesses pessoais comuns, criam assim uma nova grande pedra. E estão prontos para colocá-la no lago.
Se permitirmos elevarem novamente o nível da água, será praticamente impossível, por mais algumas gerações, fazer a limpeza necessária nas outras pedras. Os mesmos velhos caciques e suas famílias continuarão a dominar os poderes e fazer as leis que os protegem e os enriquecem. Afogarão a democracia brasileira. E isso cabe a nós não permitir.
Folha online/montedo.com

6 comentários:

Anônimo disse...

Sei!......limpando o lago....sei! E "limparam" mesmo. Todo o pré-sal que em 2018 "renderá" mais de 4 trilhões de dólares, todos os portos, aeroportos, minas de ouro e muitos outros minérios, todas as grandes construtoras brasileiras, programa nuclear, pesquisas, telecomunicações, gigantescas áreas de terras entregues à estrangeiros e etc e etc e etc etc......sei....limpando o lago.....sei....e limparam mesmo.....não deixarão nada. Pelo jeito que o "desmonte" do pais ocorre não sobrará nada que pertença ao "Brasil" mesmo. Bom será que os novos donos não cobrem aluguel para o povo....afinal estaremos "ocupando" propriedade alheia! Realmente limparam um país inteiro, em meses e estão falando isso em alto e bom som. Não tem nenhuma vergonha em "divulgar" isso!

Anônimo disse...

Infelizmente uma grande parte de brasileiros tem uma memória curtinha. Votarão nos mesmos larápios e cínicos acreditando nas promessas falsas das campanhas políticas. Tem gente que gosta de viver sendo roubada, assaltada, perdendo o emprego e reclamando e recebendo benefícios temporários.

SAUDAÇÕES TRICOLORES disse...

muito boa a metáfora...
só os cínicos têm saudades da mãe do petrolão e
do pai do mensalão.

Anônimo disse...

Que texto fantástico! Já compartilhado, com os devidos créditos.

Anônimo disse...

Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2017-04-14/emilio-odebrecht-30-anos-de-corrupcao.html
Para leitura dos que insistem nesse mimimi e que fingem acreditar que a roubalheira data dos últimos dez anos?
--------------------------------------------------------------------------
"Delator da Odebrecht ainda afirma que prática de corrupção no Brasil está "institucionalizada" há décadas e que imprensa age com "demagogia"
O empresário Emílio Odebrecht, ex-presidente executivo e atual presidente do conselho de administração da empreiteira de mesmo sobrenome, afirmou, em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), que o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato já acontece há mais de 30 anos na relação da construtora com a classe política.
Leia também: STJ irá julgar na terça-feira pedido de liberdade feito pela defesa de Palocci
Reprodução/vídeo
Em delação premiada, Emílio Odebrecht, afirma que esquema de corrupção existe há mais de 30 anos
A informação foi dita como parte do acordo de delação premiada. O empresário da Odebrecht ainda revelou que a troca de favores entre políticos e companhias é algo “institucionalizado” no Brasil, quando descrevia aos procuradores da operação como era a relação dele com a classe política.
“O que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco ou dez anos. Estamos falando de 30 anos. [Me referi] ao sistema de fazer política. Tudo que está acontecendo é um negócio institucionalizado. Uma coisa normal, em função de todos esses números de partidos [envolvidos]”, disse Emílio Odebrecht.
Mesmo tendo deixado a presidência executiva da empresa em 2002, ele afirma que continuava cuidando pessoalmente das negociações da empresa com os presidentes em vigor.
“Desde 2002, vinha lutando para passar [o relacionamento] com o [presidente da] Venezuela, Hugo Chaves, com o José Eduardo Santos, presidente de Angola, e o [ex-presidente] Lula para Pedro Novis [atual presidente-executivo do grupo] e para o Marcelo [Odebrecht, que presidia o grupo até ser preso na Lava Jato]. Com essas pessoas com quem eu, não tendo tido a oportunidade de poder transferir a relação, uns não aceitavam, outros pelo convívio de 35 anos, não quiseram, continuei dando apoio a essas pessoas”.
Leia também: "Político que disser que não recebeu caixa dois está mentindo", diz Odebrecht."

keko marques disse...

Pré sal, mais uma mentira lulopetista...

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics