7 de abril de 2017

Batalhões ferroviários do Exército estão parados por falta de demanda

No Instituto Militar de Engenharia (IME) há matérias específicas para a construção de linhas férreas
Margareth Lourenço - Especial para o Correio
O Exército Brasileiro está pronto para voltar a atuar em obras ferroviárias pelo país. “Queremos fazer ferrovias”, diz enfaticamente o chefe do Departamento de Engenharia e Construção da força militar, general Oswaldo de Jesus Ferreira, 62 anos. E essa preparação já vem ocorrendo ao longo dos últimos dois anos, tanto que, no final de 2015, foi publicada portaria renomeando o 10º e o 11º Batalhões de Engenharia e Construção para os seus antigos nomes: 1º e 2º Batalhões Ferroviários.
Em cada um desses batalhões — o primeiro situado em Lages (SC) e o outro em Araguari (MG) — há pequenos núcleos ferroviários “para manter acesa essa chama”, diz o general. E no Instituto Militar de Engenharia (IME) há matérias específicas para a construção de linhas férreas. “Nossos engenheiros já aprendem, temos pessoal capacitado e tecnologia”, enfatiza o general Ferreira. Porém, falta a demanda pelo serviço. “Se recebermos essa missão, estamos prontos para atuar, como já fizemos em outras épocas.”
Desde a renomeação dos batalhões, o Exército fez contatos com a Valec — a estatal encarregada pela construção de ferrovias — e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “As conversas com a Valec não prosperaram e com o Dnit não houve condições de trabalharmos porque, de lá para cá, o departamento não investiu mais em ferrovias”, informa o general.
O Dnit informou que, apesar de não haver ação em andamento em relação à retomada de obras em estradas de ferro com a cooperação do Exército, o departamento tem “interesse na parceria”. Para que avance nesse sentido, é necessário haver dotação no Orçamento Geral da União para o Dnit.
A participação dos militares em obras férreas veio à tona ontem, no cinquentenário da chegada dos trilhos à capital federal, obra executada pelo 2º Batalhão Ferroviário. O evento, na antiga Rodoferroviária de Brasília, reuniu 200 pessoas. No final da década de 1960, estava pronta a ligação de Brasília com o centro-sul do país.
À época, o trem chegou na estação Bernardo Sayão, localizada no Núcleo Bandeirante, com uma faixa à frente da locomotiva onde lia-se “Salve Brasília”. Ontem, um único vagão percorreu poucos metros. Apesar das palmas, o cenário era de nostalgia em uma estação que sequer existe. À frente da linha, podiam ser vistos diversos vagões de carga enferrujados entre o mato alto.

Quatro perguntas para o general Oswaldo Ferreira, chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército

Porque as ferrovias foram abandonadas no Brasil?
O colapso das ferrovias veio com a vocação rodoviária. A maior parte da nossa malha ferroviária foi fechada por conta da preferência pelo transporte rodoviário. Há uma inversão, enormes perdas. Áreas produtoras de grãos, como Mato Grosso, têm que escoar a produção até o porto de Paranaguá (PR) por estrada.

Por que os projetos em ferrovias estão emperrados?
O Brasil precisa fazer projetos de infraestrutura à altura das nossas possibilidades econômicas. O bom planejador é o que vê o seu planejamento se transformar em realidade. Infelizmente, ainda somos um país de commodities. É só ver o exemplo de Carajás, uma província mineral que, devido à visão empresarial da Vale, já está construindo a segunda ferrovia para escoar a produção. Não adianta aumentar a produção em Mato Grosso sem ter como escoar. Linhas férreas demandam altos investimentos devido à sua complexidade e muitos anos, até uma década. Não podem ser projetos de governo. São projetos de Estado.

Os batalhões estão prontos para atuar na construção de ferrovias?
Há cerca de 20 anos não estamos envolvidos com obras férreas. Nosso foco passou a ser obras em rodovias, mas temos condições, se nos derem a missão. Sem dúvida, vamos nos articular, nos preparar e vamos cumprir. Nosso anseio é voltar a fazer ferrovias e colocamos esta vontade na pauta junto à mais alta esfera nacional: queremos fazer. É só nos chamarem. Não perdemos a nossa história.

Quais os desafios para que o Brasil volte a investir em ferrovias?
Tem que ter orçamento e é preciso que não seja um investimento imediatista. É projeto de longo prazo, mas o seu funcionamento contribui essencialmente para o desenvolvimento do país.
CORREIO BRAZILIENSE/montedo.com

7 comentários:

Anônimo disse...

O EUA é o exemplo a ser seguido, pois lá as ferrovias cortam o país e tras progresso e economia.

Aqui nesse país de ladrões, acabaram com as poucas ferrovias que existiam. Veja bem a 40 anos Vc podia sair de Santos-SP, cruzar o Estado de SP, entrar por Três Lagoas-MS, campo Grande-MS, Aquidauna, Miranda, Corumbá-MS, Santa Cruz de La Sierra (Bolivia e chegar ao Pacifico. Cadê a ferrovia ?

Eu viajei muitas vezes de Lins-SP para Corumbá-MS, cuja viagem durava 27 horas

* Globo Repórter a História das Ferrovias no Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=anp0o4PisEY
.............
No Youtube tá cheio de videos sobre as ferrovias, veja um deles ...
https://www.youtube.com/watch?v=j-5uOoJ9QVk

A saudades são muitas.

Anônimo disse...

Não tenho certeza, mas me parece que esse trem de Brasilia, ia até Campinas-SP. Alguém sabe algo ?

Anônimo disse...

Lamentavel !!! ==> Trem do Pantanal fracassa seis anos depois e empresa suspende passeio

https://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/apos-fracasso-do-trem-do-pantanal-vagoes-vao-se-tornar-biblioteca

https://www.campograndenews.com.br/cidades/do-trem-do-pantanal-sobrou-estacao-fantasma-e-o-ultimo-funcionario

https://www.campograndenews.com.br/cidades/trem-do-pantanal-fracassa-seis-anos-depois-e-empresa-suspende-passeio

Anônimo disse...

Acabou esse sonho. Resta o pesadelo ...

Viagem de trem desvenda as belezas do Pantanal do Mato Grosso do Sul
https://www.youtube.com/watch?v=Cc2Nvrh25So

Anônimo disse...

Alertar também que o 1º Batalhão Ferroviário, já construiu ao longo do tempo mais de 2 mil Km de ferrovias espalhadas pelos estados do sul e centro-oeste do Brasil, incluindo entre essas obras o Viaduto Número 13 (V-13), o segundo maior viaduto ferroviário do mundo, situado na ferrovia do Trigo (Roca Sales,RS - Passo Fundo,RS) e o Túnel 21, na cidade de Muçum-RS com 2.832m de extensão, um dos maiores túneis ferroviários da América do Sul. Salientar ainda que no acervo do 1º Ferroviário foram construídos mais de 36 mil metros de tuneis e mais 16 mil metros de pontes e viadutos. Certamente nenhuma empresa no Brasil construiu tantas ferrovias quanto o 1º Batalhão Ferroviário.

Anônimo disse...

Xiii, lá vão os "Severinos" para nova missão: terminar as ferrovias das empreiteiras da Lava Jato. A irresponsabilidade pelo Brasil é escandalosa. Rodovias que deveriam estar trafegáveis para o escoamento das safras, economizando despesas, estão como antes, abandonadas e cheias de atoleiros. Os caminhoneiros ainda insistem em trafegar por elas. Tinha que parar tudo. Não tem rodovia, não tem ferrovia, não tem hidrovias, mas dinheiro chega e desaparece.

ALMANAKUT BRASIL disse...

COVARDIA DO PSDB-SP CONTRA FERROVIÁRIOS DA FEPASA

setevezessete49 - 24/09/2014

https://www.youtube.com/watch?v=8OX2Ednij5s


É que no tempo em que se pegava FDP e pendurava de cabeça para baixo, o Brasil andava nos trilhos!

Nem tinha trensalão!

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