18 de abril de 2017

Propina de obra de submarino foi paga ao PT e a ex-almirantes, diz Odebrecht

Delatores afirmaram que a construtora repassou dinheiro relativo ao projeto do submarino nuclear a lobista. Os valores, posteriormente, foram distribuídos a ex-almirantes e viúvas de militares.
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G1, com informações do Bom Dia Brasil, Brasília
Nos depoimentos da delação premiada, ex-executivos da Odebrecht contaram aos investigadores que parte do orçamento para construção do submarino nuclear brasileiro, o principal projeto do país na área militar, foi repassada como propina para ex-almirantes da Marinha e para o PT.
As pessoas citadas nas delações negaram as denúncias (veja ao final desta reportagem o que disseram).
O Prosub - programa de desenvolvimento de submarinos - é uma parceria do Brasil com a França, que envolve a transferência de tecnologia francesa estrangeira para o país. O projeto ainda está em andamento e, segundo a Marinha, o programa do desenvolvimento do submarino nuclear deve ficar pronto em 2027. Até agora, a Odebrecht, uma das empresas que integram o consórcio do projeto, já recebeu mais de R$ 6 bilhões pelas obras.
A outra empresa que faz parte do programa é a francesa DCNS. De acordo com o herdeiro da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, por se tratar de um projeto com transferência de tecnologia, uma empresa brasileira teria que fazer parte do consórcio. Ele contou que, após a Marinha do Brasil fechar o acordo com a DCNS, a companhia francesa convidou a Odebrecht para integrar o projeto.
No entanto, os delatores contaram que a DCNS impôs uma condição: que a Odebrecht repassasse valores para o lobista José Amaro Ramos, que ficaria responsável por distribuir o dinheiro entre os demais participantes do esquema.
Segundo o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, o acordo foi feito em Paris. Ele disse ainda que repassou cerca de 40 milhões de euros para Amaro Ramos.
"Quando da assinatura do nosso consórcio, fui a uma reunião em Paris pra assinatura. E um dos executivos da DCNS, na presença do doutor José Amaro Ramos disse: 'está tudo tranquilo, está tudo bem, mas eu preciso que o senhor faça um contrato e comece a pagar alguns recursos ao José Amaro Ramos. Essa era a condição para que essa parceria evolua", relatou Benedicto. "A verdade é que eu fiz pagamentos de quase 40 milhões de euros para esse agente", completou.
Segundo Marcelo Odebrecht, a DNCS queria os repasses a Amaro Ramos porque ele havia "atuado como um consultor pra apoiar a conquista do contrato". Odebrecht disse ainda que, nos valores negociados do contrato, já constava o custo com o lobista.
"Parece que ela [DNCS] tinha dificuldade de pagar como empresa estatal, e aí o que é que ela fez? Quando ela negociou a nossa parte do contrato, ela já botou o custo do José Ramos, quer dizer, na prática estava no nosso preço", afirmou Marcelo Odebrecht.
O ex-executivo Luiz Eduardo Soares, que trabalhava no departamento que contabilizava os pagamentos ilegais da Odebrecht, disse que parte do dinheiro repassado ao lobista José Amaro Ramos era destinada a um militar aposentado de alta patente na Marinha, identificado no termo de colaboração como almirante Braga.
"Ele [Braga] recebia esse dinheiro porque, segundo eles, toda a concepção do submarino nuclear saiu da cabeça deles lá na década de 70 e tinham esse acordo com o Amaro Ramos que quando saísse esse negócio eles queriam receber por isso", afirmou o delator. Soares disse ainda que Braga distribuía o dinheiro para "viúvas de outros almirantes que já faleceram, ex- almirantes".
Segundo Benedicto Júnior, outro almirante também foi beneficiado no esquema: o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz da Silva Pinheiro, que está preso por um esquema de corrupção na empresa. Benedicto Júnior diz que a empreiteira queria assessoria técnica de Othon na área de tecnologia nuclear e pagou propina em troca disso.
"Ele trouxe uma conta no exterior, se eu não me engano, fizemos alguns pagamentos nessa conta. E fizemos alguns pagamentos em dinheiro que um executivo entregou na casa dele pessoalmente", disse o delator.
Os pagamentos foram feitos pelo engenheiro Fábio Gandolfo, diretor de contrato da Odebrecht, que também fez delação premiada. Ele contou que entregou pessoalmente, a título de antecipação, R$ 1,2 milhão em quatro parcelas, na casa de Othon Pinheiro, na Barra da Tijuca, no Rio.
Também foram feitos cinco depósitos, no valor de 300 mil euros cada, numa conta indicada por Othon pinheiro, totalizando um 1,5 milhão de euros. Mas os pagamentos foram barrados na Suíça, porque Othon presidia a Eletronuclear.

Pagamentos ao PT
Marcelo Odebrecht afirmou também que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, quando ficou sabendo do contrato da empreiteira no projeto do submarino nuclear, pediu contribuições para o partido. Num primeiro momento, o herdeiro da empreiteira, em conversa com o ex-ministro petista Antônio Palocci, disse que não atenderia o pedido de Vaccari.
"O [Benedicto] Júnior me disse que o Vaccari tinha feito um pedido a ele de receber uma doação, um pagamento, por conta deste contrato. Júnior negou e me falou, até porque parece que o Vaccari continuou insistindo, e eu falei com Palocci: 'olha, Palocci, houve esse pedido, não tem nenhum cabimento, eu já acertei com você o valor global, não vou ficar acertando valor por projeto, entendeu?' ", afirmou Odebrecht
No entanto, segundo Marcelo Odebrecht, em uma conversa posterior Palocci renovou o pedido feito por Vaccari. Odebrecht disse aos investigadore que acha que o PT tinha algum problema na ocasião, por isso precisava do dinheiro. Marcelo Odebrecht disse então que descontaria o valor da "conta italiano", que se referia ao crédito de propina que Palocci tinha na empresa. O montante final desse repasse, segundo ele, ficou entre R$ 6,5 milhões e R$ 17 milhões.
"Eu sei que nesse momento, até aí parece que o PT estava com problema, precisava...tinha uma demanda. E aí, eu acho que o Palocci, para calar um pouco a boca, vou usar esse termo, talvez, para apaziguar um pouco o Vaccari, aceitou que a gente abatesse. E aí foi esse 6,5, eu me lembro, e talvez tenha um valor também, aí aceitou que eu abatesse na conta italiano [...] Ou seja, o Palocci, para apaziguar lá o Vaccari, aceitou que eu abatesse da conta dele um certo... um valor que foi entre 6,5, parece, e depois foi para 17. Entendeu? Foi algo que ficou entre 6,5 e 17", afirmou Odebrecht.

O que disseram as defesas
A defesa de Othon Luiz da Silva Pinheiro disse que os fatos relatados não correspondem à realidade.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa de José Amaro Ramos não havia sido localizada.
A defesa de Palocci disse que dono da Odebrecht - Emílio Odebrecht - afirmou em depoimento que havia quatro pessoas que respondiam pelo apelido de italiano nas planilhas da construtora.
A defesa de Vaccari disse que ele jamais pediu ou recebeu pagamentos ilícitos.
O PT não quis se pronunciar.
A Marinha informou que desconhece qualquer irregularidade envolvendo o programa de submarinos e que também desconhece o "almirante Braga" citado na delação.
G1/montedo.com

11 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei admirado da resposta da Marinha do Brasil, igual a resposta dos bandidos que saquearam o país.
"A Marinha informou que desconhece qualquer irregularidade envolvendo o programa de submarinos e que também desconhece o "almirante Braga" citado na delação".Sabe nada inocente...

Daniel Jorge Vasconcellos disse...

Essa é a resposta que o blog diz que a Marinha deu...
Mas, fala sério:
Qual é o Nome completo do Tal Almirante Braga?
Quais os nomes das viúvas?
Qual o "PODER" que essas velhinhas tem para merecerem PROPINA?
Vamos ficar atentos!
Está uma onda de tentar enlamear e desacreditar os milicos...
Aí tem, né?!

Anônimo disse...

Começamos a entender os motivos pelos quais os projetos, MP's e decisões da justiça com relação aos militares estão sempre empacados, como dizem: marcando passo. Essas delações que estão estarrecendo os brasileiros são apenas de uma das empreiteiras envolvidas. tem outras. Já está no "forno" a "mãe" e o "pai" de todas as bombas que arrancarão as máscaras dessa organização criminosa: o backup enviado ao Brasil do programa criado no setor de propinas da Odebrecht e que ficava na Suíça e, para "fechar a conta", o Palocci vai delatar.

Anônimo disse...

Prosub do Othon, daí lhe Moro! Porque a justissa militar só pega Praça!

Anônimo disse...

Esses executivos da Odebrecht vão acabar ganhando medalhas por bons serviços prestados. Ô povo de bom coração! Oferecia "ajuda" e aceitava qualquer pedido. Cinco milhões pra lá, dez milhões pra cá...

Carlos Cesar disse...


São delações que servem para desmascarar a bandidagem presente também no alto escalão das FA, que no meu entendimento interfere nas promoções e nas indicações para ingresso nas escolas e colégios de formação de oficiais.

Anônimo disse...

É igual a peixe, morre pela boca : MPF-RJ ajuiza ação na Justiça contra Bolsonaro por ofensas a quilombolas
Os procuradores da República no Rio de Janeiro, Ana Padilha e Renato Machado, ajuizaram ação civil pública contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por danos morais coletivos a comunidades quilombolas e à população negra em geral. A ação foi protocolada nesta segunda-feira (10) pelo Ministério Público Federal (MPF-RJ).

Em 3 de abril, o deputado fez uma palestra no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, na qual fez comentários ofensivos à população negra e aos membros de comunidades quilombolas. Bolsonaro disse, na ocasião, que visitou uma comunidade quilombola e que e “o afrodescendente mais leve lá pesava 7 arrobas”. Sobre a visita, ele disse ainda: “Não fazem nada, eu acho que nem para procriador servem mais”.

Para os procuradores, tais afirmações desumanizam as pessoas negras, retirando-lhes a honra e a dignidade ao associá-las à condição de animais. Na ação, eles sustentam que o réu usou informações distorcidas, expressões injuriosas, preconceituosas e discriminatórias com o claro propósito de ofender, ridicularizar, maltratar e desumanizar as comunidades quilombolas e a população negra.

“Com base nas humilhantes ofensas, é evidente que não podemos entender que o réu está acobertado pela liberdade de expressão, quando claramente ultrapassa qualquer limite constitucional, ofendendo a honra, a imagem e a dignidade das pessoas citadas, com base em atitudes inquestionavelmente preconceituosas e discriminatórias, consubstanciadas nas afirmações proferidas pelo réu na ocasião em comento”, afirmam os procuradores na ação.

A assessoria de imprensa do deputado informou que, até o momento, não tem conhecimento do teor da ação e que, por isso, não se manifestariam.

Segundo o MPF, se condenado, Bolsonaro pode ser obrigado a pagar indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos causados aos quilombolas e à população negra, a ser revertida em projetos de valorização da cultura e história dos quilombos.

Com informações da Agência Brasil.

Anônimo disse...

Coloquem no google e consultem:

"almirante braga"

Anônimo disse...

Os policiais militares e civis hoje invadiram o congresso e com isso demonstraram força e organização e com isso vão se aposentar com 55 anos de idade. Enquanto isso, adivinhe quem vai pagar a conta, e vai passar para a reserva com 60 anos de idade, sem posto acima, aquele pessoal disciplinado, gostam de uma ordem unida, tem um chefe que vai brigar pelos seus direitos.... quem?

Rui Martins Mota disse...

Não foi nada disso. Os delatores foram bem claros e categóricos em dizer que a propina foi paga a integrantes do PT e não a almirantes ou a quaisquer militares. Má fé do Blog do Montedo ou Montendo...sei lá o nome.

Trago só Verdades doloridas disse...

Veja as notícias de hoje é mude sua opinião, Sr. Rui ou Ruim, sei lá o nome.

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