26 de junho de 2017

Avião com drogas interceptado pela FAB decolou da fazenda do ministro da agricultura

Avião com meia tonelada de droga decolou de fazenda da empresa de Blairo Maggi
Fábio Munhoz - iG São Paulo
Aeronave foi interceptada pela Força Aérea no último domingo em Goiás; Amaggi diz não ter relação com o equipamento e que vai apoiar investigação
O avião interceptado na tarde do último domingo (25) pela FAB (Força Aérea Brasileira) em Goiás com 500 quilos de cocaína decolou de uma fazenda pertencente à empresa Amaggi, que tem entre seus principais acionistas o senador afastado Blairo Maggi (PP-MT), que atualmente é o titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
De acordo com a FAB, a aeronave interceptada decolou da fazenda Itamarati Norte, localizada no município de Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, a cerca de 400 quilômetros de distância da capital Cuiabá. A empresa da família de Blairo Maggi confirma em sua página na internet que a fazenda pertence ao grupo Amaggi.
A aeronave que carregava os entorpecentes é um bimotor modelo PA-23-250, fabricado em 1970 pela empresa norte-americana Piper Aircraft e está registrada sob a matrícula PT-IIJ. O Registro Aeronáutico Brasileiro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informa que o avião está em nome de Jeison Moreira Souza.
Procurada pelo iG, a Amaggi diz, por meio de nota, que tomou conhecimento do caso por meio das reportagens publicadas na imprensa e que “aguarda o das investigações sobre a propriedade da aeronave e as circunstâncias exatas em que ela - conforme afirma a FAB - teria pousado na Fazenda Itamarati e decolado a partir de uma de suas pistas”.
Em seu site, a Amaggi - empresa da família de Blairo Maggi - confirma que a fazenda integra seus negócios
Em seu site, a Amaggi - empresa da família de Blairo Maggi - confirma que a fazenda integra seus negócios (iG)

A empresa acrescenta que “não tem qualquer ligação com a aeronave descrita pela FAB e não emitiu autorização para pouso/decolagem da mesma em qualquer uma de suas pistas”. Ainda conforme a Amaggi, a fazenda possui 11 pistas autorizadas para pouso eventual, espalhadas ao longo de 54,3 mil hectares de propriedade. A organização destaca que essas pistas são “apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente”.
Ainda na nota, a Amaggi considera que “região de Campo Novo do Parecis tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas, dada a sua proximidade com a fronteira do Estado de Mato Grosso com a Bolívia” e que “tal vulnerabilidade também acomete as fazendas localizadas na região”.
A empresa diz auxiliar as autoridades de segurança em ações para combater o tráfico de drogas na região. “Em abril deste ano, a Amaggi chegou a prestar apoio a uma operação da Polícia Federal, quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 quilos de entorpecentes (conforme noticiado à época) em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da Amaggi, a qual resultou bem-sucedida”, finaliza a companhia.
Também por meio de nota enviada ao iG, a assessoria de comunicação da FAB afirma que “as informações sobre o local de decolagem da aeronave interceptada no domingo foram fornecidas pelo próprio piloto durante a aplicação das medidas de policiamento do espaço aéreo. A confirmação do local exato da decolagem fará parte da investigação conduzida pela autoridade policial”.

Operação Ostium
A ação da Força Aérea realizada na tarde do último domingo integra a Operação Ostium, cujo objetivo é coibir a prática de crimes ao longo de toda a fronteira brasileira. A interceptação da aeronave com meia tonelada de cocaína foi feita em Aragarças, cidade localizada na divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso.
A interceptação teve início por volta das 13h. A FAB utilizou um avião A-29 Super Tucano, um turboélice brasileiro fabricado pela Embraer. A aeronave interceptada tinha como destino a cidade de Santo Antonio Leverger (MT), que fica localizada a aproximadamente 40 quilômetros de Cuiabá, capital do Estado.
De acordo com a FAB, o piloto de defesa aérea seguiu o protocolo das medidas de policiamento do espaço aéreo, conforme estabelece a Lei 7565/1986 e o Decreto 5.144/2004, interrogando o piloto do bimotor e comandando, na sequência, a mudança de rota e o pouso obrigatório no aeródromo de Aragarças (GO).
A Força Aérea informa que inicialmente, o avião interceptado seguiu as instruções apresentadas pela defesa aérea, mas em vez de pousar no aeródromo indicado, arremeteu. O piloto novamente comandou a mudança de rota e solicitou o pouso, porém o avião não respondeu. A partir desse momento, o equipamento foi classificado como hostil. O A-29 Super Tucano executou o tiro de aviso – uma medida de persuasão para forçar o piloto da aeronave interceptada a cumprir as determinações da defesa aérea - e voltou a comandar o pouso obrigatório.
A aeronave com a droga novamente não respondeu às orientações e pousou na zona rural do município de Jussara, interior de Goiás. Um helicóptero da Polícia Militar de Goiás foi acionado e faz buscas no local. O avião será removido para o quartel da PM em Jussara. A droga apreendida será encaminhada para a Polícia Federal em Goiânia.

Outro caso
Em fevereiro deste ano, a Polícia Federal apreendeu na cidade de Pará de Minas (MG) uma aeronave Cessna Aircraft, modelo 210M, que transportava 430 quilos de pasta base de cocaína. O piloto do avião foi preso em um hotel próximo à rodoviária de Belo Horizonte, para onde havia fugido. A operação foi realizada em conjunto com a Polícia Militar de Minas Gerais.
O avião foi encontrado no período da noite em um hangar, onde iria pernoitar carregado com a droga, antes de seguir viagem. Durante a perícia, a PF constatou que as asas da aeronave não tinham identificação em suas partes inferiores, além de ter as extremidades alongadas para permitir o armazenamento de maior quantidade de combustível e, com isso, aumentar a autonomia de voo.
Além da pasta base de cocaína, foi encontrado um pacote com cerca de um quilo de folhas de coca de origem boliviana, segundo a Polícia Federal.

Sem comentários
A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi procurada pela equipe do iG para comentar sobre o assunto, mas não se manifestou, orientando para que a Amaggi fosse contatada. O ministro Blairo Maggi também não fez comentários sobre o caso em seus perfis nas redes sociais.
Último Segundo - iG @/montedo.com 

8 comentários:

Anônimo disse...

Putz !!!!!

Anônimo disse...

Obviamente ele não sabia de nada e nem autorizou ninguém a utilizar a pista, mas, ela está lá para quem quiser. Só tem gente inocente nesse Brasil.

Anônimo disse...

Pode um General do Exército Brasileiro defender bandidos???

Diego H disse...

Outra bomba que um dia vai estourar, políticos envolvidos com tráfego de drogas.....povo não tem nem idéia....mas é coisa grande...coisa de comunistas...esquerdistas, etc...

Marcelo Carvalho disse...

A imprensa divulga, julga e condena antes mesmo de qualquer investigação...

Anônimo disse...

Quem é o inocente que não desconfia de alguma ligação entre grandes traficantes e políticos? Só se os políticos fossem incorruptíveis, o que não é, como demonstram as várias operações da PF e MPF. Se for pego algum avião na propriedade é só repetir o que o Lula sempre fala: não sei, não é meu, não autorizei e,... é de um amigo.

Anônimo disse...

O pobre Jambock Pulou !!!


Sgt Resenha

Anônimo disse...

Vamos corrigir: o digníssimo político não tinha nada a ver com o caso. O piloto, que é o bandido, claro, mentiu descaradamente, o que era de se esperar, e é comum até lá em Brasília também. Sem verbas, quase nada funciona, exceto, FFAA e alguns setores da PF. Na fronteira o que não falta são fazendas e áreas fáceis de serem cruzadas.

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics