6 de junho de 2017

Marinha: País vai investir US$ 1,8 bi em corvetas

Marinha fez convite para 17 estaleiros em todo o mundo para participar da concorrência; navios devem ser entregues entre 2022 e 2025

Roberto Godoy, O Estado de São Paulo
A Marinha do Brasil vai investir US$ 1,8 bilhão na construção de quatro novas corvetas (navios de guerra) para manter ativo o projeto de reequipamento da frota de superfície da Força, plano prejudicado pela crise econômica que afeta fortemente o orçamento da Defesa.
A primeira unidade fica pronta em 2022, ao custo de US$ 450 milhões. O processo de obtenção será executado em etapas. Na primeira fase, encerrada há poucos dias, foi feito um Chamamento Público, uma espécie de convite, em que estaleiros com não menos de 10 anos de experiência na construção de navios militares de alta complexidade e com 2,5 mil toneladas, apresentaram a documentação técnica para participar da futura licitação.
A Diretoria de Gestão de Programas da Marinha considerou 17 empresas; duas das quais brasileiras, várias europeias, a maioria delas com sede na Ásia (veja o quadro ao lado). Até dezembro haverá uma série de consultas e audiências técnicas com os interessados. A escolha será anunciada em 2018. O último exemplar sairá das docas de produção em 2025.
Novo estágio
O resultado do próximo estágio prevê a elaboração, ao final, de uma Solicitação de Proposta. Nele deverão constar três pontos relevantes: 1) definição técnica do navio em licitação, 2) a orientação para apresentação de outros projetos já existentes e testados, 3) as condições de viabilidade financeira. O conjunto do negócio também será explicitado – dos termos da participação da indústria local até o pagamento de royalties em futuras vendas internacionais do produto, passando pelas compensações comerciais e os índices de nacionalização.
O grupo contratado terá de fabricar as corvetas no País, consorciado com parceiros do setor naval nacional, com amplas transferência de tecnologia e compensações comerciais. A área atravessa uma profunda crise. Dos 40 complexos industriais existentes, apenas 12 se mantêm ativos.
As demissões de pessoal com formação qualificada chegam a 50 mil funcionários. Há 10 dias, o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, alertou, em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, para as dificuldades em manter a Força Naval operacional e para o risco de a esquadra de superfície “desaparecer em pouco tempo”.
De acordo com Leal Ferreira, a Marinha precisa de destinações orçamentárias anuais de R$ 3,2 bilhões a R$ 3,4 bilhões. Todavia, revelou, terá esse ano R$ 2,34 bilhões – não considerados os contingenciamentos. Para manter a normalidade seriam necessários mais R$ 800 milhões, ressaltou o almirante.
O projeto Tamandaré, que toma como referência básica a corveta V-34 Barroso – lançada em 2008, projetada e construída no Brasil –, é avançado, com grande carga digital, sistemas e armamento de última geração. Segundo engenheiros navais ouvidos pelo Estado, “com 2,7 mil toneladas, mais de 100 metros, considerável poder de fogo, e mais um helicóptero de ataque embarcado, o navio pode ser definido como uma minifragata, embora com restrições de autonomia e conforto”.
Ainda assim, são os menores navios de escolta e ataque entre todas as categorias. A Marinha do Brasil (MB) contempla planos para comprar até 12 embarcações em um prazo longo. O programa é urgente. Os oito navios mais efetivos da MB, fragatas compradas a partir dos anos 1970, foram modernizados uma vez – mas terão de ser aos poucos desativados até 2028.
ESTADÃO/montedo.com

7 comentários:

Anônimo disse...

Estamos precisando urgente disso. O "Brasil azul", imenso, está desprovido ao norte. Um litoral imenso, com muitos locais onde contrabandistas e traficantes entram e saem com facilidades, sem falar nos navios de pesca irregulares. A ilha do Marajó está se tornando antro de piratas, pontos de tráfego de drogas e, possivelmente, armas. Drogas estão vindo via rio amazonas e saem para a Europa e resto do Brasil pelo litoral extenso. Já foram presos alguns colombianos com drogas. É difícil patrulhar uma área tão extensa e cheia de pequenos furos e portos clandestinos.As autoridades parecem que só tem olhos para o sudeste e sul enquanto o norte, de um modo geral, fica relegado à segundo plano. Depois que as facções se instalam, fica difícil retirá-las, pois as comunidades ribeirinhas são vítimas da violência deles e vivem sob constante ameaça.

Anônimo disse...

Uma das melhores matérias publicadas nesse blog em 2017. Parabéns !

Anônimo disse...

Depois dos prejuizos enormes com aquele porta aviões sucata, agora sim.

Anônimo disse...

Prefiro navio patrulha,mas já é um começo

Anônimo disse...

Servi 5 anos na marinha... Na nau captanea... A12... porta aviões São Paulo... Tirando as amizades que fiz... Posso dizer que a MB é só um desperdício de tempo e dinheiro pra nação... Esses navios não servem para nada a não ser dar boa vida aos Oficiais nas "praças d'armas, que se acham princesos da Marinha... Enquanto que as praças ficam passando K.O. nos dourados e mais nada.... Pode fechar a MB é jogar a chave fora que não vai fazer falta alguma... Muito pelo contrário...vai ser economia pra nação...

Anônimo disse...

Não sabe oque fala, servi em manaus e lá os navios são essenciais para as pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas aonde a assistência e zero

Anônimo disse...

Excelente colocação. Esse dispêndio do erário não surtirá nenhum efeito aqui desejado. Trata-se de mais um engôdo para maquiar as verdadeiras intenções de um contrato internacional bilhonário.
Já está mais do que provado que o armamento que entra no Brasil independe da atuação das FFAA.
Essa finalidade de patrulha marítima...prisão de pescadores ilegais...combate ao contrabando ou qualquer outra atividade diversa da destinação constitucionaldas FFAA, serve de desculpas para o uso contínuo e político das instituições militares, subvertendo sua real missão.
A garantia da soberania nacional, da lei e da ordem passam antes pelo filtro da legalidade estrita, da polícia federal, da receita federal (aduana) e das forças de segurança pública.
Não fomentem a prostituição das nossas briosas FFAA...
ELAS SÃO O ÚLTIMO BASTIÃO DE PRESERVAÇÃO DO ESTADO.
Não aos gastos desnecessários com estaleiros no exterior.
Sim a produção nacionale geração de empregos!

Arquivo do blog

Compartilhar no WhatsApp
Real Time Web Analytics