25 de fevereiro de 2017

ONU: Taurus enviou ilegalmente 8 mil armas a filho de traficante iemenita

Relatório segue processo do MPF-RS contra ex-executivos apontados como responsáveis por venda de armamento a Fares Mana'a através do Djibouti
POR LISANDRA PARAGUASSU, DA REUTERS 
BRASÍLIA - Um relatório do Painel da ONU sobre Iêmen e Somália aponta que a fabricante brasileira de armas Forjas Taurus negociou e enviou em 2015 um carregamento de 8 mil armas a um filho do iemenita Fares Mohammed Mana'a, listado como um dos maiores traficantes internacionais de armas, três meses após a organização colocar o Iêmen sob embargo.
O documento da Organização das Nações Unidas, que cita e aprofunda informações reveladas pela Reuters em setembro do ano passado, afirma que um dos indícios encontrados mostra que a empresa usada como operadora da venda, a Itkhan Trade Company, tem como CEO Adeeb Mana'a, filho de Fares Mana'a.
A venda, que tinha como destino o traficante iemenita, foi feita ao Djibouti como forma de contornar as restrições de segurança em torno de Mana'a e do Iêmen, segundo a ONU.
Em mensagens de email obtidas na investigação brasileira sobre as negociações entre a Taurus e a Itkhan, Adeeb é citado pelos ex-funcionários como o seu contato na venda, mas mostram que a empresa também tinha relação direta com Fares.
"O Painel considera que o modus operandi da transferência de armas foi designado para contornar os controles regulares de aduanas e de segurança", informa o relatório.
O Painel da ONU informa, ainda, que as licenças finais de exportação foram emitidas para a Taurus em fevereiro de 2015 --antes, portanto, do Iêmen entrar na lista de países sob sanção, em abril-- mas o carregamento só saiu do Porto de Santos, em São Paulo, em julho do mesmo ano.
"Se a Forjas Taurus tivesse tido os devidos cuidados teria identificado aspectos da compra dessas armas que eram suspeitos em relação ao embargo de armas ao Iêmen e poderia ter parado o embarque das armas", afirma o relatório, divulgado no dia 17 de fevereiro.

SEM TENTATIVA DE CONTORNAR CONTROLES, DIZ EMPRESA
Em nota enviada à Reuters, a empresa afirma que “não participou de qualquer tentativa de contornar controles de segurança” e que a transação foi totalmente documentada e seguiu todos os protocolos exigidos pelas legislações brasileiras e internacionais.
“Não havia qualquer restrição em relação a vendas para esse país. Portanto, se houve alguma tentativa de contornar controles de segurança, isto foi feito à revelia da Taurus e das autoridades brasileiras”, disse a empresa em resposta a questionamentos enviados pela Reuters.
Assim como em outra negociação de 8 mil armas em 2013, investigada no Brasil, a nova venda de armas era endereçada ao Ministério da Defesa do Djibouti, pequeno país do nordeste da África, onde, exatamente do outro lado do estreito de Bab al-Mandad, está o Iêmen.
O Painel da ONU identificou diversos sinais de que Djibouti era, como classificou o Ministério Público brasileiro, apenas um "entreposto fictício" para a venda de armas a Mana'a e sua subsequente distribuição no Iêmen e na Somália, que também está sob embargo.
Entre as inconsistências levantadas pelo Painel da ONU está o fato de a Taurus ter obtido um certificado de compra de armas do Chefe do Comando Militar do Djibouti para 80 mil pistolas. O país possui apenas 16 mil militares na ativa e 9,5 mil reservistas na suas forças de segurança.
"Esse é um número incomumente alto de armas para uma Força deste tamanho", diz o relatório.
O certificado de exportação foi emitido em nome da empresa Matrix, comandada por Abddurabuhguhqd Sale Abdo, segundo o relatório da ONU. No entanto, este é o único momento que a Matrix e seu presidente são citados em todos os documentos de venda, seja de embarque, financeiro ou legal. Todos os documentos relevantes estão em nome da Itkhan Trade e de seu CEO, Adeeb Mana'a.
O relatório aponta ainda que o endereço da Itkhan no Djibouti não existe no país e todos os dados da empresa -- telefones e emails, por exemplo, são do Iêmen.
O modo de operação da venda detectada pelo Painel da ONU repete o que foi feito na primeira venda de 8 mil armas, investigada no Brasil pela Polícia Federal e que levou à abertura de processo por tráfico internacional de armas contra os ex-executivos da Taurus --a empresa em si não foi denunciada pelo Ministério Público.
A venda de que trata o painel da ONU seria ainda um segundo carregamento, de 8 mil armas. Pelo menos um terceiro estava sendo negociado em 2015 --já com o Iêmen sob embargo-- quando o esquema foi descoberto pela Polícia Federal e a venda, interrompida.
Com a colaboração das autoridades brasileiras, o Painel da ONU teve acesso a certificados de exportação emitidos para a Taurus para venda ao Ministério da Defesa do Djibouti, tendo como intermediários a empresa ItKhan e seu representante, Adeeb Mana'a.
Questionado sobre o tipo de informação e checagem de segurança que o governo brasileiro faz antes de emitir os certificados, o Ministério da Defesa --responsável pelas licenças-- não respondeu até a publicação desta reportagem.
O painel também detalhou pagamentos feitos à Taurus pela Itkhan entre os dias 18 de novembro e 3 de dezembro de 2013 por meio de uma conta bancária em Nova York. Foram três transferências totalizando 543.860 dólares --cerca de 1,7 milhão de reais em valores atuais.
Também estão registradas três faturas emitidas pela Taurus em 23 de dezembro de 2013 para o Ministério da Defesa do Djibouti, em um total de 806.896,85 dólares --cerca de 2,5 milhões de reais em valores atuais.
A empresa justifica que obteve as autorizações necessárias e seguiu os protocolos exigidos, e alega que “não tinha elementos que a permitissem suspeitar dos compradores” e suspendeu imediatamente as negociações ao saber das suspeitas sobre a Itkan e a família Mana’a.
“A companhia, portanto, não pode ser responsabilizada por intenções que ela desconhecia absolutamente”, disse a empresa em nota enviada à Reuters.
A Taurus disse ainda desconhecer as razões da Itkhan ter feito a intermediação da venda de armas ao governo do Djibouti, mas que essa é a razão da empresa e seus controladores constarem dos registros da Taurus, e que prestou esclarecimentos sobre isso às autoridades brasileiras.
A venda de que trata especificamente o Painel da ONU não chegou ao destino final. Desconfiado de que as armas não eram realmente destinadas ao Djibouti, o governo da Arábia Saudita apreendeu o carregamento em novembro de 2015, quando a carga passava pelo país.
As armas vendidas pela Taurus a Fares e Adeeb Mana'a, de acordo com as conclusões do Painel, não são de uso militar. O Painel da ONU conclui, portanto, que a intenção não era que fossem usadas na guerra civil do Iêmen pelos rebeldes houthis, aliados do ex-presidente Ali Abdullah Saleh e de quem Fares Mana'a é extremamente próximo, tendo sido um de seus governadores, por não serem armas de combate. A intenção, aponta, seria vender as armas no mercado negro da região.
"O envolvimento de Fares Mohammed Hassan Mana'a e sua conhecida relação com os houthis torna possível que os aspectos financeiros da transação tenham sido feitos em benefício de indivíduos listados pelas Nações Unidas", diz o relatório, indicando que as investigações continuarão.
O Globo/montedo.com

12 comentários:

Anônimo disse...

A Petrobras já foi.
grandes construtoras também já foram e em breve não restará nenhuma grande construtora nacional operando dentro e fora do brasil,
A Embraer já está indo....
O míssil A-darter já está indo...
O submarino nuclear só em 2030 e olha lá.... ou seja...Já foi.....
Aquisição de fragatas.....Já foi...
Aquisição dos perninhas curtas gripinho....Já foi ou está indo....podem ser trocados por uns velhos f16 que estão estocados num certo deserto de nevada ou arizona....
Todas as empresas voltadas para a pesquisa e desenvolvimento na area militar/defesa já foram ou estão no caminho.....
Almirante othon (pai da energia e desenvolvimento nuclear militar da mossa patria) está cumprindo prisão perpétua....
A Taurus (uma das maiores fabricantes de armas portáteis do mundo e já desenvolvendo modernos fuzis de assalto) já está sendo atacada tambem.....banco do Brasil na fila para ser doado...
Caixa econômica idem....
Bnds....morto e enterrado.... Porto de Mariel, que era praticamente um pedaço de território nacional no caribe para controle de comércio naquela regiao agora em mãos de empresas e governo do grande e mui amigo irmão do Norte....
Governo e empresas brasileiras abandonando tudo que era investim
entos em mineração, construção de estradas, barragens e etc no continente africano, que já estão sendo ocupados por chineses e principalmente por empresas dos eua....
Muito em breve veremos os blindados guarani e outros investimento da nossa guarda nacional (exército?) sendo cortados ou reduzidos a insignificancia....
Ufa...
Não falei a metade da metade da metade do desastre e ataques que sofre nossa pátria, empresas nacionais, trabalhadores e etc.
Ou será preciso desenhar?

Anônimo disse...

Se esse lote for igual a das pistolas que foram vendidas às PMs e estão disparando sozinhas, provocando acidentes, foi uma maneira de se livrar das porcarias.

Anônimo disse...

Tu tem pst Taurus?
Tem papudo?
Faz 2 anos, atiro todo mês, sempre s/a.
Claro que se alterar o gatilho, dará defeito. O vídeo do cano torto.Meteu na prensa pra pedir INDENIZAÇÃO. É irmão. . . .
Isso é Lobby de alguns que querem outra Marca.
Aço, chumbo e balaço!

Anônimo disse...

Estranho....usei muito esse armamento e nunca tive problema. Não será falta de conhecimento, responsabilidade, habilidade,treinamento, adestramento, manutenção correta e manuseio do armamento? Se....se existe algum "problema" no equipamento, pois que seja corrigido. Agora ficar defendendo fechamento da indústria nacional e importação até de angola, Bolívia, Butão, Zanzibar e etc de tudo que é material manufaturado....pistolas, revólveres, enxada, pa, obuses, mísseis, aeronaves, sapato, istilingue, faca, facão, cueca e etc e etc e etc, não acho e não concordo que seja um pensamento e sentimento de querer que o Brasil seja realmente um país desenvolvido. Não conheço nenhum grande país exportador de banana, cafe, cevada, manga, batata, goiaba, que se sobreponha a um país, até mesmo pequeno mas que produza tecnologia. Não conheço! Nós, brasileiros, precisamos parar de achar que tudo que é nacional não presta....só presta o que vem de fora, principalmente o que vem dos eua e Europa. Precisamos dar valor ao que é nosso! Precisamos mudar esse pensamento de colônia. Nós, brasileiros, precisamos pensar grande...do tamanho da nossa pátria e do tenho de suas imensas e nem bem conhecidas e mapeadas riquezas que o criador nos deu de herança. Só assim seremos uma grande nação!

Anônimo disse...

Anônimo de 09:53.Belo comentário..disse tudo em poucas palavras. Muito "esperto", alterando o armamento e depois falando que não presta, fora "comentarista anônimo" que na verdade não sabemos quem realmente é, "queimando" produto nacional. Provavelmente loby para "torrarem" a Taurus que já começa a sofrer "ataques". Para grandes fabricantes de armas portáteis de "outros" "países", o interessante é que a Taurus realmente desapareça do mercado principalmente internacional. Se conseguirem isso e eu acho que conseguirão (depois da prisão perpétua do alm. Othon, pai do submarino nuclear nacional que jamais sairá, acredito em tudo o que for feito para ferrar o brasil), terão "matado" vários coelhos com uma "paulada" só. Empregos por aqui desaparecem, conhecimento, técnicas de fabricação, infraestrutura e muitas outras cousas. Isso tudo passa para outros competidores no mercado internacional. Ótimo negócio para empresas estrangeiras!

Anônimo disse...

Quem não acredita, reveja reportagens sobre os problemas das pistolas usadas na PM. Tem policial que foi atingido com disparo "automático", ao manusear a pistola sem colocar o dedo no gatilho. Só em sacudir a arma sem acionar o gatilho a arma dispara, etc, e também foram realizados testes em laboratório e foi constatado várias armas com o mesmo problema. A fabricante, a princípio, negou os problemas mas resolveu encerrar a fabricação do modelo defeituoso. Cuidado.

Anônimo disse...

ONU....sei...
Polícia federal....sei
Arábia maldita....sei
É Taurus.....e funcionários brasileiros....vocês já viraram alvo.
A empresa brasileira já começa a sofrer ataques.
Será assim até seu fechamento. Mais uma empresa brasileira de tecnologia que terá um triste fim.
Fora as centenas de trabalhadores diretos e indiretos que irão para as estatísticas de desemprego. Pobre Bra$$$$$$Zzzzzzil.

Anônimo disse...

Pra bom entendedor meia palavra ba. ...
Osório, melhor Carro Combate do mundo à época.
Te questiono?
Quem reclamou da arma foram casos isolados. Lobby.
Rossi e seu aço incomparável. Que houve? Vai frequentar um clube de tiro. Depois opine de novo. Baseado em sí.
Aço, chumbo e balaço!

Anônimo disse...

Aos papudos que dizem que é balela:
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-37782821
https://www.youtube.com/watch?v=yKWPF44X4Ts
https://vitimasdataurus.com/2015/04/15/problemas-e-mais-problemas-nas-armas-da-taurus/
http://www.tjdft.jus.br/institucional/imprensa/noticias/2016/maio/fabricante-de-armas-e-condenada-a-indenizar-por-defeito-em-produto
... Tem muito mais.

Anônimo disse...

E o ataque continua e até aumenta de intensidade! Pobre BraZZZZZZZZZZZZZZ$$$$$$$$il!

Anônimo disse...

Fez um péssimo produto e ainda tem quem defenda. Sendo processada ate nos EUA. Fabrica armas .22 aqui e só vende pros gringos. Se não valoriza seu próprio povo como quer ser valorizada por nós. Só os funcionários da empresa pra defender mesmo.

Anônimo disse...

Fala irmão. ....comprei uma pst Taurus, atiro muito com ela. Em todas as situações sempre S/A. Ok. Uso como principal e backup o 38.
Não sou funcionário. E nem defendo essa empresa que está entre as três maiores do mundo tendo começado em 1939.
Todas as reportagens devem ser analisadas tecnicamente e em caso de fraude. Mexer no gatilho. Alterações que sabemos que tem consequências. E munições uso pessoal trocar a cada 6 meses. Seguir orientações técnicas.
Você não conseguiu comprar calibre .22. Vai no representante.
Palavras de instrutor internacional que um revólver Rossi era excelente.
Cadê a fábrica hoje?
Forças ocultas querem essa fatia do mercado. Usam de todos meios para aniquilar concorrentes.
Gerar empregos, movimentar economia. Vamos apoiar nosso futuro. Ler mais, pesquisar e fazer parte do contexto para emitir opinião. Comprei uma arma para falar dela por mim e você? Desejo sucesso a todos. Hipo!

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