13 de fevereiro de 2017

A Tática das Paisanas

Imaginemos que a tática das “paisanas” venha a ser adotada em todo o país, como já acontece no Rio de Janeiro
Luiz Carlos Azedo
Colunista do Correio Braziliense
O governo Temer aprovou praticamente tudo o que quis no Congresso, e recuperou o controle das finanças públicas. Os sinais da economia são positivos, pois a inflação entrou numa espiral descendente significativa. Mas está perdendo o controle de segurança pública, cuja responsabilidade principal é dos estados. Depois da crise dos presídios do Maranhão, Amazonas e Roraima, depara-se agora com uma grave crise no Espírito Santo.
O jurista italiano Norberto Bobbio dizia que todo governo, mesmo o pior, é a forma mais concentrada de poder. Quando nada nele funciona, as tarefas essenciais do Estado são mantidas: arrecadar, normatizar e coagir. Quando um governo perde a capacidade de manter a ordem pública, deixa de ser um governo ruim para ser desgoverno. É o que está acontecendo no Espírito Santo e pode se generalizar.
É paradoxal a situação capixaba (cujo governo aparentemente fez o dever de casa fiscal), que ameaça se alastrar para o Rio de Janeiro (cujo governo faliu ética e financeiramente), onde uma greve da PM teria consequências, digamos, “iraquianas”. Não é a primeira vez que policiais militares se amotinam, isso aconteceu nos governos FHC e Lula, mas é a primeira vez que o Exército, a Marinha, a Aeronáutica e a Força Nacional intervêm num estado, como agora, e não acontece nada.
Os amotinados continuam aquartelados, embora 600 militares já tenham voltado a trabalhar. Já passou a hora de entrar no quartel-general da Polícia Militar do Espírito Santo, em Maruípe, para restabelecer a disciplina da tropa.
O que garante o Estado democrático de direito no Brasil não são seus líderes, é o funcionamento de suas instituições políticas.
A negociação é conduzida pelas autoridades estaduais, que empurram a situação com a barriga porque há mais de 3 mil homens das tropas federais substituindo a PM. Estão convencidos de que uma intervenção do Exército pode resultar numa tragédia. Conversa fiada. Não existe um precedente, desde a Revolução Constitucionalista de 1932, de tropas estaduais se confrontarem com o Exército.
A Constituição estabelece a subordinação hierárquica das polícias militares ao Exército, em casos excepcionais, exatamente porque a antiga Força Pública de São Paulo rivalizava com as tropas da União em poderio bélico. Não serão os militares capixabas que cometerão a loucura de patrocinar um confronto dessa espécie, ainda mais com a maioria da população revoltada com seu comportamento irresponsável e perverso.
Alguma coisa de muito estranha acontece. O governador Paulo Hartung, que reassumirá o governo hoje, faz um discurso com começo, meio e fim, quanto ao ajuste fiscal e ao respeito à disciplina e à ordem, mas tergiversa quando fala do atual comando da Polícia Militar, que perdeu o controle da situação.
O quartel-general de Maruípe continua sendo o reduto dos amotinados, que ameaçam reagir a tiros, caso o Exército disperse o grupo de mulheres que protestam à sua porta. É uma situação desmoralizante, que se alastra para vários quartéis do Rio de Janeiro.
O presidente Michel Temer determinou o envio de tropas na segunda-feira, mas manteve distância regulamentar da crise a semana toda, como todo velho político que mergulha quando a onda quebra. Somente na sexta-feira, pela primeira vez, se manifestou oficialmente. Sua nota é conciliadora, mas, se não for levada em conta — como parece que não será —, sua autoridade sairá desgastada.
Sábado (11FEV2017), o ministro da Defesa, Raul Jungmann, desembarcou no Espírito Santo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Reuniu-se com as autoridades do governo local e depois deu uma boa entrevista. Palavras ao vento, porque o estado-maior do motim continua o faz de conta em Maruípe.

A fortuna
Uma das características de Temer é a fleuma. Maquiavel, porém, dizia que nem sempre a prudência é uma virtú. Em determinadas circunstâncias, a fortuna exige certa dose de audácia.
A aposta do governo nas reformas da Previdência e trabalhista, por exemplo, são iniciativas audaciosas no terreno do combate à crise fiscal e da retomada do crescimento. Mas enfrentam reações das corporações encasteladas no Estado, entre as quais, os oficiais das polícias militares.
Essa resistência ao ajuste fiscal não existe apenas no Espírito Santo. Imaginemos que a tática das “paisanas” venha a ser adotada em todo o país, como já acontece no Rio de Janeiro, e que o comportamento das tropas também se repita, o que felizmente ainda não aconteceu.
Qual será a saída para o impasse? Cada um que imagine a resposta, vamos apenas contextualizá-la: a elite política do país nunca esteve tão desgastada, com o Congresso desmoralizado e vários ministros citados nas delações premiadas da Operação Lava-Jato. O que garante o Estado democrático de direito no Brasil não são seus líderes, é o funcionamento de suas instituições políticas.
A nossa elite política afronta a sociedade com atitudes e decisões voltadas exclusivamente para seus próprios interesses, num momento em que o bem comum deve falar mais alto. É aí que está o perigo de os governos serem volatilizados, como no Espírito Santo.
DEFESA NET/montedo.com

8 comentários:

Anônimo disse...

Crise nos presídios de MARANHÃO, Amazonas e Roraima?!!!!!!?

Não seria Rio Grande do Norte????

Está imprensa tupiniquim mostra um total desconhecido dos acontecimentos do país...

Passaram uma geração apoiando um governo ridículo e achando que o caminho do socialismo seria solução, sabe-se lá de quê,
Que esqueceram de estudar.
E depois vem tecer comentários a respeito do que não se conhece..

Patético!

2° Sgt 2002

Anônimo disse...

Parabéns pelo breve porém completo comentário.

Anônimo disse...

Os policiais acharam a fórmula para exigirem aumento salarial sem que sejam punidos(?), por enquanto. Aí vieram os soldados para substituí-los, promover segurança à população e tentar amenizar o sofrimento e pânico das famílias, inclusive dos policiais. Uma pergunta: vocês sabem quem são esses soldados, de onde vieram?
Resposta:

Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal. ...

Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Braços mornos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim...

Anônimo disse...

Alguém já viu a a Tabela de Vencimentos da Polícia Militar do Espirito Santo.

Anônimo disse...

Brasil recuperando?????? Fala sério! Esse calunista e colonista precisa de muito óleo de péroba. Essa imprensa apátrida e seus ventríloquos tentam passar a idéia de que está tudo bem com este país. Nossas instituições derreteram, nossa economia idem, nossas riquezas estão sendo doadas aos estrangeiros e esse elemento (tal de azedo) vem dizer que o país está se recuperando? Fomos jogados de volta aos anos 50 e essa imprensa acha que consegue fazer com que todos acreditem que esta tudo bem? Caras de pau! Correio brasiliense? Fala sério..! Defesa@net?.... Fala sério!tudo figurinhas reacionárias pró eua e seus asseclas. Todos jogam contra os interesses da nossa pátria....Todos.

Anônimo disse...

Forças sinistras e maquiavélicas, tramam um confronto entre nós e os companheiros das polícias militares.......Essa imprensa aberta (a grande mídia), para "embolar e complicar" ainda mais a delicada situação institucional que vive nosso país, tenta diuturnamente tambem, através de "reporcagens", jogar a população contra nós, querendo passar ao povo que nós, os militares, somos os grandes responsáveis pela crise financeira que toma conta do país e tende a se agravar. Se houver alguma ação mais drástica contra as famílias dos polícias e invasão dos seus quartéis, eles já avisaram que haverá reação física. Se isso acontecer, será um efeito cascata.....provavelmente todas as polícias militares dos Estados se solidarizao com os políciais do ES. Isso se transformará num barril de pólvora explodido. Falta pouco para isso acontecer. E na verdade já está claro que a situação está sendo manipulada para esse fim.Tenho certeza que nossos comandantes estão avaliando isso e com nervos de aço saberão contornar essa grave situação que políticos corruptos jogaram nossa pátria e agora como saída vislumbram e tramam uma guerra fratricida entre irmãos. só assim, na confusão que tomará conta da nossa pátria conseguirão escapar ilesos.

Anônimo disse...

E o povo está aplaudindo os PMs que voltaram para as ruas e que estavam na revolta? É isso aí. Aplaudam que no ano que vem tem muito mais.

Anônimo disse...

Hahaha. Esse sgt 2002 e seus "profundamete" rasos pensamentos sócio-políticos! Melhor continuar suas histórias de vitorias pessoais, em meio a uma horda de derrotados(segundo sua extensa capacidade de analise).

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