12 de fevereiro de 2017

ES: plano militar inclui uso da força para desobstrução das guarnições da PM

Josias de Souza
O plano de ação das Forças Armadas no Espírito Santo não se limita a restabelecer e manter a segurança nas ruas de Vitória e cidades vizinhas. Prevê um leque de providências que Inclui a remoção de mulheres de policiais militares que acampam há mais de uma semana defronte dos quarteis da PM. Consta do planejamento o uso da força, se necessário. A medida, considerada extrema, foi mencionada em reunião de autoridades federais e estaduais, neste sábado, na sede do governo capixaba.
No final da tarde, parte dos policiais havia retornado ao trabalho na região da Grande Vitória —algo como 600, segundo a estimativa divulgada pela Secretaria de Segurança Pública. Menos do que os 2 mil que costumam se revezar nas ruas diariamente. Muito menos do que o contingente mobilizado pela União: 3,1 mil soldados das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança.
O serviço de inteligência militar detectou a presença de policiais fazendo, à distância, a proteção das mulheres acampadas diante dos portões dos quarteis. Estavam à paisana e armados. O plano das Forças Armadas leva em conta também a hipótese de uma reação adversa dos PMs aguartelados, que perderiam com a dispersão das mulheres o pretexto para permanecer de braços cruzados.
Além de desmontar os acampamentos, as tropas federais estão preparadas para abrir acessos alternativos aos quartéis das PM. De resto, o Exército se equipou para oferecer combustível aos veículos da polícia e abrigo nas suas instalações para policiais que se dispusessem a retornar ao trabalho. O timbre das autoridades que se reuniram em Vitória era de impaciência com os amotinados. O ''piquete'' das mulheres foi tratado nas conversas como um ''teatro'' ensaiado e dirigido pelos próprios policiais.
Deslocaram-se de Brasília para Vitória o procurador-geral da República Rodrigo Janot e quatro ministros: Raul Jungmann (Defesa), general Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), Antonio Imbassahy (Coordenação Política do Planalto) e José Levi Mello (interino da Justiça). Encontraram-se, entre outros, com o governador licenciado Paulo Hartung, o governador em exercício César Colnago, comandantes do Exército e da Força Nacional, além de representantes do Tribunal de Justiça e da Procuradoria-Geral do Estado.
Houve consenso quanto à necessidade de asfixiar os policiais amotinados. Sinalizou-se a disposição das Forças Armadas de permanecer no Espírito Santo pelo tempo que for necessário. Esvaziaram-se as promessas de deputados federais capixabas de providenciar no Congresso anistia para os policiais punidos por desobediência. De resto, esgrimiu-se a ameaça da Procuradoria da República de requerer a federalização dos processos, enquadrando os aquartelados na Lei de Segurança Nacional.
Embora esteja convalescendo de uma cirurgia, o governador licenciado Paulo Hartung participou das conversas. Disse a portas fechadas que aproveitará a crise para promover uma ampla reformulação da Polícia Militar capixaba. No entanto, não detalhou a hipotética reforma. Penitenciou-se por ter incorporado cerca de mil novos policiais militares. Na avaliação do governo estadual, esse pedaço mais jovem da tropa foi responsável pela radicalização do movimento. Nessa versão, os mais antigos estariam propensos a negociar.
UOL/montedo.com

3 comentários:

Anônimo disse...

Vai correr mais sangue...affffff

Anônimo disse...

"O plano de ação das FFAA, Prevê um leque de providências que Inclui a remoção de mulheres de policiais militares que acampam há mais de uma semana defronte dos quartéis da PM". Aí é que reside o perigo. Se por acaso algum policial olhar sua mulher sendo agredida, ele portando uma arma, vai dar o quê?
O que faríamos numa situação semelhante?
Sou militar reformado das Forças Armadas, portanto não sou da PM.
Sabemos que nos é proibida greve, mas chega um ponto insuportável e seja o que Deus quiser. Vejam o que está acontecendo com o nosso pessoal ativo, sem falar nos inativos.

Cesar disse...

Aí o militar do EB vai lá cumpre a ordem e retira a força um parente de um PM em plena manifestação! O militar cumpre a missão é depois vai retornar a sua casa, porém é reconhecido pelos PMs nas ruas, e agora eu pergunto e aí?
O praça implora por um porte de arma, coloca mil amparos e o mesmo não é concedido por seus comandantes! Como o militar irá se proteger, tendo em vista que o PM detém tal porte e pracinha n!
É impressionante! Os comandantes colocam sua tropa a deriva, cabe toda a responsabilidade para aquele que está na ponta da linha!
Quantas autoridades seguiram para o ES, aposto que rolaram várias diárias e regalias nestas reuniões! Estes políticos e autoridades de m.... Que destroem o país! Infelizmente o povo é burro e vota nestas aberrações! Outra coisa vamos combater o quê neste país? Somos a categoria mais desunida do mundo! Somos hipócritas! Solicitamos diversas mudanças, mas não damos o braço a torcer a um colega que se candidata, muitas vezes por inveja da condição que o mesmo corre atrás!
Tenho vergonha que certos comentários que eu leio aqui! Os policiais estão fazendo a parte deles e nós?
É proibido fazer greve, mas é proibido tb roubar, onde estão toda a grana que foi desviada do país por estes políticos e demais autoridades?
Falar p n fazerem greve é mole, quero ver dar o exemplo!

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